O sistema prisional norte americano

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  • Publicado : 15 de outubro de 2012
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O sistema prisional norte americano

Muitas organizações de direitos humanos consideram o sistema prisional norte-americano como um dos piores do mundo. Desde o 11 de Setembro evoluiu para bem pior, tendo-se acentuado as condições repressivas e os crimes racistas e xenófobos sobre as minorias.
Na terra dos Bush, as prisões tendem a ser todas de “alta segurança” e o dever inerente a qualquerEstado respeitador dos direitos humanos, de recuperar e reabilitar os presos é totalmente ignorado. O Estado norte¬ americano prefere simplesmente isolar os condenados.
Dados de 1997 revelam que nos EUA havia um milhão e oitocentos mil presos nas cadeias, mais do dobro do que na década de 80. Se somarmos, a esta população, os condenados a prisão domiciliária, liberdade condicional ou sob fiança, onúmero triplica.
Neste país estão presos cinco vezes mais negros do que o número de reclusos nas cadeias da África do Sul nos piores tempos do apartheid. Dados de 2001 do próprio Departamento da Justiça dos EUA revelaram que 5,6 milhões de pessoas tinham experiência prisional, o equivalente a 2,7 por cento da população adulta, estimada naquela altura em 210 milhões de pessoas. Acresce que osimples facto de terem cadastro retira-lhes a possibilidade de poderem votar em eleições.
Em 1974, havia nos EUA, 1,6 milhões de presos. Até 2001, a população prisional sofreu um vertiginoso aumento para 3,8 milhões.
Mantendo-se este ritmo, a ONG National Criminal Justice Comission considera que, em 2020, estarão presos seis em cada dez afro-americanos.
NEGÓCIO DE MILHÕES
O facto de as cadeiasterem tantos reclusos levou a economia privada a encontrar aí uma enorme fonte de lucro e negócio, através da privatização do sistema prisional norte-americano. O negócio tornou-se tão lucrativo que, em 1992, mais de 100 empresas se dedicavam ao que é classificado como mais um “ramo de comércio”.
Em 1996, segundo o World Research Group, referia-se numa convocatória para uma reunião de especialistasdestas empresas que «enquanto as detenções e as condenações crescem, os lucros também. Os lucros do crime».
Hoje em dia, a Corrections Corporation, empresa de prisões privadas, é uma das cinco mais bem cotadas na Bolsa de Nova Iorque.
Nascida em 1983, esta empresa, que vive à custa do trabalho gratuito dos presos norte-americanos, formou¬ se com capitais provenientes dos frangos fritos Kentucky,tendo aparecido no mercado com uma publicidade onde dizia pretender vender cadeias privadas como quem vende frangos de aviário.
No final de 1997, com as acções da empresa com uma cotação 70 vezes superior ao seu início, conseguiram internacionalizar o mercado das cadeias, construindo prisões também na Inglaterra, Austrália e Porto Rico, mantendo sempre a sua sede nos EUA.
Os presos passaram aser tratados como autêntica mercadoria.
As empresas do ramo editam uma revista sobre os serviços que prestam aos estados e governos. A publicidade não tem qualquer limite de decência. A Modu Form, por exemplo, anuncia: «Os presos chegam-nos mais duros que nunca. Felizmente também os nossos produtos».
A Motor Coach Industries, mostra um modelo de carro-prisão que parece um canil dividido em jaulasde aço. Nos últimos 20 anos, as despesas públicas com o sistema prisional norte-americano aumentaram 900 por cento, essencialmente em investimentos e contratos de grande proveito e margem de lucro para as referidas cadeias – empresas privadas.
MAUS TRATOS
O tratamento brutal dos presos nas prisões privadas chegou a extremos tão escandalosos que até os texanos – onde se encontram alguns dos maisreaccionários agrupamentos de extrema-direita – se assustaram com o descaramento e obrigaram as autoridades a rescindir, em 1998, alguns daqueles contratos.
O Texas é o estado norte-americano mais desrespeitador dos direitos das populações prisionais na América, aquele que aplica mais penas de morte, e onde George W. Bush, no exercício do cargo de governador, mandou executar quase duas centenas...
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