O sebastianismo e a figura de d. sebastião nas obras frei luís de sousa, de almeida garrett, el-rei sebastião, de josé régio, além do filme quem és tu?, de joão botelho

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É inegável que o Sebastianismo é um pilar do pensamento cultural português, a figura de D. Sebastião teve muito impacto na história e no desenvolvimento de Portugal, e assim influenciou (e ainda influencia) intensamente a produção artística do país. D. Sebastião foi o décimo sexto rei de Portugal, e o sétimo da Dinastia Avis, herdou o trono de seu avô, João III, com apenas três anos. Aosquatorze, assumiu o trono, a expectativa portuguesa era de um reinado com rigor militar e religioso, buscando consolidar um Império Universal através do cristianismo. O rei se ateve a esse ideal de governo, e foi extremamente centrado na luta contra os infiéis, falecendo em 1578, numa batalha contra os árabes no norte da África, em Alcácer Quibir, vale ressaltar que seu corpo nunca foi encontrado.
Alémda imposição da fé cristã, também era objetivo desse reinado a reconquista da posição de nação mais importante da Península Ibérica, portanto, a morte prematura do rei na batalha em África foi considerada uma das maiores tragédias da história Portuguesa, uma vez que a crise que já vinha do antigo governo só piorou e o trono português foi dominado pela Espanha. Esse cenário desolador propiciou aconsolidação do mito sebástico, que já vinha se manifestando em Portugal com as trovas proféticas de Bandarra, diante da falta de auto-estima, a nação, antes orgulhosa de suas glórias passadas, começou a conservar a esperança no retorno de D. Sebastião, que estaria apenas esperando o momento oportuno de voltar e recuperar o trono dos espanhóis (Hermann, 1998, p. 54)
Uma episódio tão peculiar comoesse fatalmente viraria tema recorrente na produção literária do país. Almeida Garrett, um dos maiores representantes da literatura portuguesa, se utilizou da intensidade do mito sebastianista para produzir a peça considerada obra-prima do teatro romântico, Frei Luís de Sousa, de 1843.
É interessante notar que o enredo da vida de D. Sebastião seria facilmente reproduzido por uma personagemromântica por excelência, não só pelo destino trágico, como pela vida solitária e misteriosa, além da sua personalidade problemática, como ressalta Francisco Sales Loureiro:
“Não resta dúvida de que uma criança, gerada e criada nas condições em que o foi D. Sebastião, haveria de possuir marcas psicológicas inapagáveis, que desenham muito das suas posteriores atitudes, com lógica explicação do desideratofinal de sua vida: o desastre de Alcácer-Quibir.” (LOUREIRO, 1989, p.104)
De uma forma surpreendente, Almeida Garrett opta por narrar a catástrofe da vida de uma família burguesa do final do século XVI, deixando de plano de fundo a história desse rei tão ao gosto do espírito romântico. No entanto, todas as personagens centrais da peça se mostram dotadas de grande honestidade e dignidade,participando ativamente de todo o enredo, para o leitor fica quase impossível a seleção de uma personagem principal, sugerindo que a grande figura de Frei Luís de Sousa seria, na verdade, D. Sebastião, uma vez que o caráter sebastianista permeia a obra inteira. Vale ressaltar que o século XIX foi um momento propício para o retorno do sebastianismo, uma vez que a família real havia fugido para o Brasil,devido à invasão napoleônica.
A tensão da peça envolve um drama familiar e um drama público, Madalena fora casada com D. João de Portugal, no entanto, esse foi dado como morto na batalha de Alcácer Quibir, assim como D. Sebastião. Passados sete anos de viuvez, Madalena se casou novamente com Manuel de Souza Coutinho (Frei Luís de Sousa), com quem teve uma filha, Maria de Noronha, de saúde muitofrágil.
Sebastião é citado algumas vezes durante a peça, Maria acreditava no retorno do rei e aterrorizava sua mãe, pois isso implicava na possibilidade de volta do primeiro marido e assim a vida familiar cairia em desgraça. O que era temido acontece de fato quando a família, devido a um drama público, precisa abandonar a casa em que morava e ir para a casa que Madalena vivia antes da batalha em...
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