O sagrado e o profano em nosso lar

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UNIVERSIDADE FEDERAL DE UBERLÂNDIA
INSTITUTO DE FILOSOFIA

RAYANE FREITAS MACIEL

O SAGRADO E O PROFANO EM
NOSSO LAR

UBERLÂNDIA
2012
RAYANE FREITAS MACIEL

O Sagrado e o Profano em Nosso Lar

Trabalho apresentado como requisito final para obtenção de aprovação na disciplina Tópicos Especiais em Filosofia da História 3 ministrada pelo Professor Doutor José Benedito de AlmeidaJúnior do curso de Filosofia da Universidade Federal de Uberlândia.

UBERLÂNDIA
2012
INTRODUÇÃO

“Nosso Lar: a vida no mundo espiritual” é um livro – que no ano de 2010 tornou-se filme – em que o espírito André Luiz, através do médium Francisco Cândido Xavier, nos apresenta uma colônia espiritual de mesmo nome. De forma envolvente e brilhante, o autor nos mostra suas próprias experiências,observações e descobertas em relação ao mundo espiritual. Faz-nos conhecer um mundo excitante, cheio de vida, com organização exemplar, um mundo onde espíritos desencarnados vivem num ambiente de estágio de recuperação e educação espiritual onde são inspecionados atentamente por espíritos superiores. Nesse mundo, André Luiz nos autoriza conhecer o ambiente espiritual que espera por nós assim queabandonarmos o corpo material por meio da morte física.
Este trabalho, proposto na disciplina de Tópicos Especiais em Filosofia da História 3 ministrada pelo Professor Doutor José Benedito de Almeida Júnior, tem por objetivo apresentar os conceitos de sagrado e profano propostos pelo autor Mircea Eliade e aplicá-los a essa obra espírita.

SAGRADO E PROFANO

Mircea Eliade propõe uma espécie deintrodução geral à história das religiões.
Este livro pode, pois, servir como uma introdução geral à história das religiões, visto que descreve as modalidades do sagrado e a situação do homem num mundo carregado de valores religiosos. (Eliade, 2010, p. 23)

Segundo o autor, o homem pode ser dividido, no contexto histórico, em duas categorias: o homem moderno e o homem religioso (homoreligiosus). Para ele, o homem moderno é aquele que vivencia o profano, enquanto o homem religioso se encontra no campo do sagrado. Aquilo que é sagrado está relacionado com aquilo que é divino: um objeto considerado sagrado não é o mesmo que um objeto divino, mas sim um objeto que tem relação com o divino. Essa relação com a divindade faz surgir sentimentos oriundos da própria divindade: o pavor e ofascínio (mysterium tremendum e mysteryum fascinans). A divindade é uma força que tanto vence quanto fracassa, é um poder indefinido, que mesmo estando em qualquer lugar, não está em lugar algum.
Já o profano é aquilo que não possui ligação com o sagrado. Onde o sagrado domina não se encontra o profano.
O leitor não tardará a dar-se conta de que o sagrado e o profano constituem duas modalidades de serno mundo, duas situações existenciais assumidas pelo homem ao longo da sua história. [...] [...] Em última instância, os modos de ser sagrado e profano dependem das diferentes posições que o homem conquistou no Cosmos e, consequentemente, interessam não só ao filósofo, mas também a todo investigador desejoso de conhecer as dimensões possíveis da existência humana. (Eliade, 2010, p. 20)

Noentanto, a intenção de Eliade é demonstrar como se estabelece a relação sagrado e profano, onde o profano é um sagrado camuflado. Dessa forma, o que se vê na história é o homem que se diz moderno, ou seja, que se afirma um homem a-religioso, vivenciando todas as características do sagrado, mesmo que inconsciente, ele vive todos os comportamentos religiosos. Segundo Eliade, “poder-se-ia escrever umaobra inteira sobre os mitos do homem moderno”. Quase todas as ações do homem profano sinalizam para uma atividade sagrada:
Em outras palavras, o homem profano, queira ou não, conserva ainda os vestígios do comportamento do homem religioso, mas esvaziado dos significados religiosos. [...] O homem a-religioso no estado puro é um fenômeno muito raro, mesmo na mais dessacralizada das sociedades...
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