O realismo e o idealismo

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  • Publicado : 30 de março de 2012
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O REALISMO E O IDEALISMO COMO LIÇÃO PRIMEIRA NA COMPREENSÃO TEÓRICA DAS R.I.
Gilberto Pereira

O mundo, e, cada vez mais, os internacionalistas, parecem render-se aos «encantos realistas» sempre que são chamados a analisar a evolução do sistema político internacional. Para muitos, as teorias realistas, na sua essência clássica, encerram em si o conteúdo mais acabado para compreensão do cenáriointernacional.
Em certa medida, os realistas, ganharam notoriedade e reconhecimento, mais por erro de compreensão histórico-realística dos idealistas, do que por exclusivo mérito das suas análises acerca das relações internacionais(1). E os idealistas, igualmente na sua essência clássica, por sua vez, perderam espaço por «depositarem altos créditos» no poder normativo como regulador do sistemainternacional. Todavia, tanto uns, quanto outros, estruturaram razoavelmente bem os seus argumentos, e, por essa via, contribuiram significativamente para evolução teórica das RI.
Nesta medida, é necessário tentar perceber a relevância de ser-se, nos dias que correm, absolutamente realista ou idealista.

Perante o quadro actual do sistema internacional, é seguro pensar-se nas relaçõesinternacionais, em termos absolutamente realistas ou idealistas? Considerando que, mesmo numa sociedade internacional anárquica, coexistem elementos cooperativos e conflituantes, não urge a necessidade de se adaptar o conceito de interesse nacional aos «ventos da realidade»? Com a complexidade das ameaças e dos riscos actuais, os Estados, nesta perspectiva, devem continuar a ser vistos como os actoresexclusivos e determinantes do sistema internacional? Ou com a emergência de novos actores internacionais, retira-se grande parte da importância e do papel desempenhado pelos Estados no cenário internacional? Para África, avista-se/avistou-se algum pensamente teórico que redireccionou ou revolucionou esse continente?

O ritmo acelerado das mudanças globais hoje vivido, do ponto de vista dos factos efenómenos internacionais, não permite posicionar-mo-nos ao lado de uma (teoria realista) ou de outra (teoria idealista) teoria consideradas como fundadoras das R.I.
Isto porque, por um lado, a visão realista das relações internacionais revê-se, essencialmente, numa espécie de estado de natureza em que cada Estado se assumia como adversário do outro, numa guerra de todos contra todos. Em outrostermos, como bem resumiu João Gomes Cravinho, o realismo é, sintéticamente, visto através de:
a)anarquia internacional formal, em que os Estados viam-se perante um cenário político anárquico (formal), sem um poder regulador supremo capaz de manter a ordem e impôr a lei, e por essa via, ficavam a mercê de si próprios para garantir a sua segurança e sobrevivência, sendo que, para o efeito, obrigados arecorrer à guerra; b)estatocentrismo, o Estado como actor único e central das relações intarnacionais. Pois que, face a anarquia formal, todos os Estados apresentavam-se como entidades superiores, formalmente iguais entre si, não reconhecendo nenhuma autoridade superior, e mantendo a idéia de igualdade soberana; c)enfoque sobre o poder, a busca do poder surge simultaneamente como objectivo e oinstrumento principais nas relações inter-estaduais no sistema internacional; e, finalmente, d) rejeição do normativo, a rejeição do condicionamento dos estudos e intervenções políticas às normas legais, aos valores ou ideais políticos. No fundo, o realismo procurava analisar as coisas tal como são e não como deveriam ser. Enfim, preteria as imposições normativas à favor da análise crítica darealidade na política internacional(2).
Por outro lado, a corrente idealista ou liberal, baseada na ideia da harmonia de interesses internacionais, insistia na possibilidade do contexto internacional vir a ser configurado como uma comunidade de Estados com interesses comuns universais. Entendiam que o indivíduo, precedente ao Estado, era o elemento/actor principal do cenário internacional, havendo...
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