O queijo e os vermes: o cotidiano e as idéias de um moleiro perseguido pela inquisição.

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Resenha descritiva ou critica do livro O queijo e os vermes: o cotidiano e as idéias de um moleiro perseguido pela Inquisição.










Resenha descritiva ou critica para a disciplina de História Medieval, ministrada pela professora:

























O queijo e os vermes:
O cotidiano e as idéias de um moleiroperseguido pela inquisição.
De Carl Ginzburg

Domenico Scandella, conhecido por Menocchio cujo a profissão era moleiro, nascido em Montereale, zona italiana do Friuli, a 25 quilômetros de Pordenone, no ano de 1532, na Itália do século XVI. Um camponês tão pouco comum foi perseguido pela Inquisição por propagar suas idéias (heresias) ao povo de sua aldeia. Era casado, tinha sete filhos,quatro mortos. Tinha a profissão de moleiro como principal, pois também era carpinteiro, marceneiro, pedreiro e outras coisas. Sabia ler, escrever e somar.
Em 28 de setembro de 1583 foi denunciado ao Santo Ofício por pronunciar palavras hereges contra Cristo, além de difundir suas opiniões, discutindo-as, isto é, discute e grita em defesa de sua opinião. O que agravava sua situação.
“Ospadres nos querem debaixo de seus pés e fazem de tudo para nos manter quietos, mas eles ficam sempre bem.” (2002, p. 39).
Menocchio era respeitado na comunidade, tinha uma vida normal e dedicado a família, até o momento de ser chamado ao Tribunal do Santo Ofício em que foi acusado de herege por propagar suas idéias:
“Eu disse que segundo meu pensamento e crença tudo eraum caos, isto é, terra, ar, água e fogo juntos, e todo aquele volume em movimento se formou uma massa, do mesmo modo como o queijo é feito do leite, e do qual surgem os vermes, e esses foram os anjos. A santíssima majestade quis que aquilo fosse Deus e os anjos, e entre todos aqueles anjos estava Deus, ele também criado daquela mesma massa, naquele mesmo momento, efoi feito com quatro capitães: Lúcifer, Miguel, Gabriel e Rafael." (p.43)
Também, espalhava e admitia que tinha dúvidas quanto a: virgindade de Maria, crucificação de Cristo, adoração de imagens, Evangelhos e inferno. Denunciava a riqueza da Igreja e o uso do latim, dizia que os sacramentos eram apenas “mercadorias”.
“O que é que vocês pensam, que Jesus Cristo nasceu da VirgemMaria? Não é possível que ela tenha dado à luz e tenha continuado virgem. Pode muito bem ser que ele tenha sido um homem qualquer de bem, ou filho de algum homem de bem.” (2002, p. 41-42)
Muitos anos depois, um segundo processo, denúncia do pároco de Montereale, dom Odoricio Vorai, delator anônimo. Menocchio, além de blasfemar, sustentava que não era pecado.
Menocchio foilevado ao magistrado, para confirmar a presença nos interrogatórios concluídos até aquele momento, após o processo reiniciou. Foi incentivado a falar.
Começou denunciando, Menocchio foi dando explicações de suas idéias quanto a opressão dos ricos contra os pobres, do falar em latim como a virgindade de Maria, recusava os sacramentos (inclusive o batismo) por serem invenções de homens e que sãomercadorias. Que a Sagrada Escritura tenha sido dada por Deus, em seguida adaptada pelos homens. Não deve-se adorar imagens. Recusava que Cristo tinha morrido para redimir a humanidade.
O que mais surpreendeu o inquisidor, vigário-geral, o magistrado de Portogruaro foi sua afirmação feita por Menocchio com segurança e agressividade de suas idéias. Menocchio, construiu suas idéias sobre os dogmasreligiosos e a criação do mundo através de leituras que fizera de alguns livros ou correntes teóricas existentes na época.
Menocchio estava ciente do risco que corria e, resolveu aceitar o conselho de seu filho, então antes de ser novamente levado para a prisão pediu por piedade.
“Senhores, eu vos peço em nome da paixão do Senhor Jesus Cristo que resolvam sobre o meu caso e, se...
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