O que é etnocentrismo

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Resenha: O que é etnocentrismo
UFOP – Instituto de Ciências Humanas e Sociais
2008

O texto de Everardo Rocha é bem fluente, logo no primeiro capítulo ele mostra o que seria o significado da palavra “etnocentrismo”. (colocar sua cultura como centro, ou seja, utilizar critérios de um determinado grupo para tentar entender o outro).

A cultura etnocêntrica é uma cultura que considera que seusvalores são naturais, que seus valores são o certo. E acha que só existe uma forma certa de fazer as coisas (a sua).

Ele tenta desenvolver essas idéias no primeiro capitulo (Pensando Em Partir) da forma mais obvia e clara possível, falando que o etnocentrismo nasce do choque cultural, das comparações entre as culturas.

Explica que o etnocentrismo surge no contexto da colonização da America,e usa como justificativa ideológica para muitas das atitudes formadas. Quando a civilização ocidental conheceu a “outra” cultura, conheceu de forma etnocêntrica.

Grandes partes das atitudes tiveram justificativas, como a idéia que era preciso levar a cultura européia para civilizações, para torná-las melhores.

Ele conta uma estória sobre o pastor que foi conhecer e conviver com os índios ecomprou diversas coisas para levar para os integrantes da tribo. Para ele, comprou um relógio dos mais modernos e cheio de funções. Chegando à tribo ele distribuiu seus presentes, e durante alguns meses em que ele já estava lá convivendo, um índio se interessou pelo seu relógio. Após muita insistência o pastor acabou cedendo e dando o relógio para o índio.

Em um determinado momento o índiochamou o pastor e mostrou o relógio dele pendurado em um galho cheio de ornamentos, servindo de enfeite.

O pastor certo tempo depois, em seu escritório, olhou para parede de seu escritório que estava cheio de arcos, cocares etc. Nesse momento ele se lembra do índio e da um grande sorriso pelo que o índio tinha feito com o seu relógio, “que índio bobo” pensou.

Esse foi um tipo de etnocentrismo“leve”, o pastor riu do índio, e não percebeu que ele tinha feito a mesma coisa. O padre não percebe essa atitude, ou seja, para ele, o arco do índio pode ser deslocado da cultura dele e colocado com o enfeite, porem o relógio dele não, porque o relógio dele é “melhor”.

O que ele não percebeu, é que os objetos mudaram de sentido na cultura de ambos.

A nossa cultura além de ser etnocêntrica (comotoda cultura), ela é colonizadora. Ela coloca o etnocentrismo como motivo para tomar/dominar as outras culturas, até mesmo usando a força para valer o nosso etnocentrismo.

O autor fala que essa visão etnocêntrica está no cotidiano e está nos livros didáticos, e isso tem um poder muito forte. A identidade “do outro” no livro, pode ser manipulada.

Ele cita exemplos em que o índio é “alugado”na História do Brasil para aparecer por três vezes em três papéis diferentes.

Primeiro ele era “selvagem” no descobrimento, “criança” na catequese e no final “herói” na ideologia nacional.

Assim são as sutilezas, violência, persistências do que chamamos de etnocentrismo. E esses exemplos se multiplicam no cotidiano, nos jornais, revistas, cinema, rádio e etc.

Ele fala também que noslivros, o índio é visto como indolente, como preguiçoso. Principalmente no trabalho da lavoura canavieira. Hoje em dia os livros trazem isso de forma mais sutil. Everardo Guimarães, diz que pelo contrário, que esta recusa de trabalhar como escravo, numa lavoura que não é sua, para a riqueza de um colonizador que nem sequer é seu amigo, é no mínimo, sinal de saúde mental.

No final do primeirocapitulo, ele coloca que o esforço da antropologia é esse, tentar relativizar, tentar construir uma nova lógica de entendimento.

No segundo capitulo (Primeiros Movimentos), ele fala que em Portugal final do século XV havia certo otimismo, um favorecimento econômico e político que sugerisse que Portugal navegasse. Era preciso se aventurar, interagir com outros mundos.

Ele cita uma passagem de Os...
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