O professor construtivista

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  • Publicado : 12 de abril de 2013
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O PROFESSOR CONST RUTIVISTA


Já que se pretende, aqui, focar a alfabetização de uma perspectiva de aprendizado, em que o aluno torna-se co-piloto do processo, necessário se faz que se procure traçar um perfil de professor que se circunscreva nesta proposta, tendo-se em vista que, ao contrário do que muita gente pensa, o ensino construtivista não relativiza a figura do professor e não propõeque ele seja dispensável no processo. Pelo contrário, nessa perspectiva, a figura do professor permanece de suma importância, mas com outra conotação: a de mediador e orientador, facultando ao aluno interagir com o objeto de conhecimento, e a partir daí construir, em um processo contínuo, novas estruturas mentais e evoluir no seu desenvolvimento cognitivo.
Quando se levanta a idéia de que oensino, na sua dimensão ampla e geral, e na aquisição da lectoescrita, pelas crianças, em particular, não cabe mais no formato tradicional, cuja prática pedagógica tem na teoria empirista do conhecimento a sua principal base epistemológica, pela qual o ensino é focado no objeto, o que implica no conhecimento vindo de fora, transmitido ao aluno, que a sala de aula é um lugar onde não se estimula opensamento mas a repetição, a cópia e a memorização, que o professor reúne em si todo o conhecimento a ser transmitido, sendo, por isso, respeitado, temido e inquestionável, então é preciso que se conceba um novo perfil de professor que irá substituir o primeiro, já que a proposta de ensino é nova e transformadora.
Começar dizendo que o professor construtivista é a negação do professor tradicional nãoé suficiente, como não é suficiente dizer que o construtivismo é, simplesmente, a negação do método tradicional de ensino. Negar a transmissão, somente, pode resvalar para o espontaneísmo, por exemplo, e não lograr atingir uma prática pedagógica assentada na interação, na construção do conhecimento. Negar, somente, o professor tradicional, é dizer, apenas, o que o novo professor não deve fazer, eisto, por si, pela mesma via, não leva a lugar nenhum.
Urge, portanto, que se faça uma reflexão acerca do papel do professor construtivista, configurando o seu perfil na relação com o aluno, na sua prática pedagógica e na concepção epistemológica que lhe serve de referencial para a produção do conhecimento. Mas para que isso se concretize de forma mais eficaz, vamos recorrer ao método e aoprofessor tradicionais, não para simplesmente negá-los, mas para tomá-los como parâmetro, em nossa reflexão.
Comecemos por uma indagação: é a escola a única instância em que se dá o conhecimento, particularmente a aprendizagem da leitura e dá escrita? No modelo tradicional, sim. E Ana Luiza Bustamante, endossa esta afirmação, quando observa:


...da forma como tem sido vista na escola, a tarefa deensinar adquire algumas características (é linear, unilateral, estática) porque, do lugar em que o professor se coloca (e é colocado), ele se apodera (não se apropria) do conhecimento; pensa que o possui e pensa que sua tarefa é exatamente dar o conhecimento à criança. Aparentemente, então, o aprendizado da criança fica condicionado à transmissão do conhecimento do professor.
Desse modo, oprofessor tende a monopolizar o espaço na sala de aula: seu discurso predomina e se impõe. Daí sucede que o estatuto do conhecimento passa pela escolarização, isto é, que a escolarização é constitutiva do conhecimento. O que quer dizer: "quem não vai à escola não possui conhecimento" (BUSTAMENTE, 2003, p. 31).



Estas afirmações têm implicações que se opõem à concepção de ensino tradicional.Primeiro, o professor se ilude, ao imaginar que o conhecimento é uma propriedade sua e que seu papel, ali naquele espaço (escola, sala de aula), é dar, literalmente, esse conhecimento ao aluno, imaginando que está ensinando e que o aluno está aprendendo; segundo, continua iludindo-se o professor, ao imaginar que somente no espaço da escola, do ensino formal, é que se aprende, afastando a possibilidade...
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