O processo de institucionalização e legitimação da profissão no brasil

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  • Publicado : 6 de abril de 2013
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O processo de institucionalização e legitimação da profissão no Brasil
Sabemos que a institucionalização do Serviço Social como profissão na sociedade capitalista se explica no contexto contraditório de um conjunto de processos sociais, políticos e econômicos que caracterizam as relações entre as classes sociais na consolidação do capitalismo monopolista. Assim, a institucionalização daprofissão de uma forma geral, nos países industrializados, está associada à progressiva intervenção do Estado nos processos de regulação social.
As particularidades desse processo no Brasil evidenciam que o Serviço Social se institucionaliza e legitima profissionalmente como um dos recursos mobilizados pelo Estado e pelo empresariado, com o suporte da Igreja Católica, na perspectiva do enfrentamento eregulação da Questão Social, a partir dos anos 30, quando a intensidade e extensão das suas manifestações no cotidiano da vida social, adquire expressão política. A Questão Social em suas variadas expressões e, em especial, quando se manifesta nas condições objetivas de vida dos segmentos mais empobrecidos da população é, portanto, a "matéria prima" e a justificativa da constituição do espaço doServiço Social na divisão sócio-técnica do trabalho e na construção/atribuição da identidade da profissão.
Nos anos 30 o Estado assume a regulação das tensões entre as classes sociais mediante um conjunto de iniciativas: a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), o Salário Mínimo e outras medidas de cunho controlador, assistencial e paternalista. Ao reconhecer a legitimidade da questão social noâmbito das relações entre capital e trabalho o governo Vargas busca enquadrá-la juridicamente, visando à desmobilização da classe operária e a regulação das tensões entre as classes sociais. Como mostra Ianni (1990) o Estado brasileiro transformou a questão social em problema de administração, desenvolvendo políticas e agências de poder estatal nos mais diversos setores da vida nacional.
Teráparticular importância na estruturação do perfil da emergente profissão no país, a Igreja Católica, responsável pelo ideário, pelos conteúdos e pelo processo de formação dos primeiros assistentes sociais brasileiros.
Em 1932 é criado o Centro de Estudos e Ação Social – CEAS, entidade que seria fundadora e mantenedora da primeira Escola de Serviço Social do país. O Centro surge após um curso intensivo de“formação social para moças”, organizado pelas Cônegas de Santo Agostinho de 1 de abril a 15 de maio de 1932. A direção desse curso coube à Melle. Adèle de Loneux professora da Escola Católica de Serviço Social da Bélgica. Com uma programação teórico prática (que incluía visitas a instituições beneficentes) o curso encontrou grande aceitação entre jovens católicas, que buscaram criar uma associaçãode ação social. Foi esse o início do Centro, ainda sob a orientação de Melle. De Loneux. As reuniões iniciais do grupo foram acompanhadas pela Arquidiocese de São Paulo, através do Monsenhor Gastão Liberal Pinto. Em 16 de setembro é eleita a primeira diretoria do Centro tendo Dona Odila Cintra Ferreira como presidente.
Como se observa, o CEAS é gestado em plena revolução paulista. Era mantido commensalidades das sócias e tinha como objetivos: difundir a doutrina e a ação social da Igreja.
Essa orientação ocorre em um momento em que a Igreja como força social mobiliza o laicato a partir das diretrizes da Rerum Novarum (1891) e da Quadragésimo Anno (1931) encíclicas papais que assumiam um posicionamento antiliberal e anti-socialista.
O Centro desenvolve uma programação de cursos sobrefilosofia, moral, legislação do trabalho, encíclicas etc. Em 1934 assume a responsabilidade de implantar a Ação Católica em São Paulo. (organizam a primeira semana de Ação Católica)
O Centro criou também quatro Centros Operários ainda em 1932. Mais tarde, esses Centros se constituiriam em sedes da Juventude Operária Católica e serviriam como campos de estagio para as alunas do curso de...
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