O problema dos universais

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Texto 10: Boécio e o problema dos universais (Anicius Manlius Torquatus Severinus Boethius)


(ca. 475/480-524)


“Que dizer da “atualidade” de Boécio no nosso século, em que a ferocidade dos tiranos, os sofrimentos dos mártires estão mais espalhados e são mais insolentes ainda que no ´seuclo V de Teodorico?” (Marc Fumaroli,1998)


Leiturascomplementares


BOÉCIO. A consolação da Filosofia. São Paulo: Martins Fontes, 1998

BOÉCIO. Escritos (Opuscula Sacra). Tradução e notas de Juvenal Savian Filho. São Paulo: Matins Fontes, 2005.

DE BONI, Luis Alberto. Anício Severino Boécio. In: ____. Filosofia Medieval. Textos. Porto Alegre: EdipucRS, 2000, p. 53-67

LEITE JUNIOR, Pedro. O problema dos universais. A perspectiva de Boécio, Abelardo eOckham. Porto Alegre: Edipucrs, 2001 (Filosofia, 125)

PEDRO ABELARDO. Lógica para principiantes. Tradução de Carlos Arthur Ribeiro do Nascimento. Petrópolis: Vozes, 1994. p. 5-32: Introdução.

REALE, Giovanni e ANTISERI, Dario. A grande controvérsia dos universais. In:____. História da Filosofia Antigüidade e Idade Média. São Paulo, Paulinas, 1990. p. 519-526.

REALE,Giovanni;ANTISERI, Dario. História da Filosofia. Patrística e Escolástica. São Paulo: Paulus, 2003. cap. 8. p. 129-134.


Texto
“ Sendo mister, Crisaórios para aprender a doutrina das categorias de Aristóteles, conhecer o que é gênero, o que é diferença, o que é espécie, o que é próprio (a propriedade), e o acidente, e que este conhecimento também é necessário para dar as definições, e de maneirageral para tudo quanto concerne à divisão e à demonstração, cuja teoria é de grande utilidade, farei para ti uma breve exposição, e tentarei em poucas palavras, como numa espécie de introdução, examinar o que disseram os antigos filósofos, abstendo-me de pesquisas muito aprofundadas e, tocando apenas com certa medida as que são mais simples.

De início, quanto ao que concerne aos gêneros e àsespécies o problema de saber se são realidades subsistentes em si mesmas, ou apenas simples concepções de espírito, e, admitindo serem realidades substanciais, se são corpóreas ou incorpóreas, se enfim, estão separadas ou se subsistentes apenas nas coisas sensíveis, e justo a elas, evitarei de falar em tais coisas: eis um problema muito profundo, e que exige uma pesquisa totalmente diferente emais extensa. Tentarei mostrar-te aqui o que os antigos, e, entre eles, sobretudo os peripatéticos, conceberam de mais racional sobre esses últimos pontos e sobre os que me propus estudar” .


Extraído de:
PORFÍRIO. Isagoge. Introdução às Categorias de Aristóteles. Tradução de Mário Ferreira dos Santos. São Paulo: Matise. s/d.









Texto 10(a) – O ‘De consolatione Philosophiae’de Boécio

1.Boécio na Filosofia Medieval
Boécio marca o princípio da especulação medieval. É, em outras palavras, o primeiro dos filósofos medievais (1). Eminente humanista, transformou-se, no tempo que os bárbaros dominavam o Ocidente Europeu, num dos principais baluartes da transmissão da sabedoria antiga e num dos preceptores da humanidade. Educado em Roma, continuou seus estudos emAtenas e talvez em Alexandria, tendo-se transformado em 520 em mestre do palácio do rei godo Teodorico.

2.Natureza da obra filosófica de Boécio

Boécio pode ser considerado sob dois ângulos: como tradutor e como autor.
Na qualidade de tradutor, sua importância é fundamental para o conhecimento dos textos dos grandes autores gregos antes das traduções da Escolástica após os meados do séculoXIII. Fez a tradução e comentou diversos tratados de Lógica de Aristóteles, as Categorias, os Tópicos, os livros Analíticos, a Hermenêutica e a Introdução ou Isagoge de Porfírio às Categorias de Aristóteles (2). São Tomás teria usado os dois primeiros capítulos da Metafísica de Aristóteles traduzido por Boécio.
Como autor, além dos comentários a Aristóteles e a Porfírio, escreveu o famoso...
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