O problema da indução

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1 - O PROBLEMA DA INDUÇÃO

Conforme uma concepção tradicional da ciência, as ciências empíricas ou fatuais caracterizam-se por utilizarem os chamados métodos indutivos. Dessa maneira, a lógica da pesquisa científica ou lógica do conhecimento se identificaria com a lógica indutiva, ou seja, com a análise lógica desses métodos indutivos.

Comumente se diz indutiva a inferência que conduz deenunciados singulares, ás vezes também denominamos de enunciados particulares, tais como descrições dos resultados de observações ou experimentos, para enunciados dos resultados universais, tais como hipóteses ou teorias.

Não é de modo algum óbvio, de um ponto de vista lógico, que se justifique a inerência de enunciados universais, que extrapolam os dados, a partir de enunciados singulares,independentemente do número de casos observados. Descarte, qualquer conclusão obtida desse modo pode mostrar-se falsa: não importa quantos cisnes brancos possamos observar, isso não justifica a conclusão de que todos os cisnes são brancos, admite Popper, pois há sempre a possibilidade lógica de surgir um cisne não branco.

O problema de indução consiste em "... saber se as inferências indutivas sejustificam e em que condições", ou dito de outro modo, : ... a indagação acerca da validade ou verdade de enunciados universais que encontrem base na experiência, tais como as hipóteses e os sistemas teóricos das ciências empíricas". Para os defensores da lógica indutiva, a verdade dos enunciados universais é "conhecida através da experiência", baseando-se tal ponto de vista no princípio empiristade redução de todo o conteúdo do conhecimento a determinações observáveis. Com efeito, indagar pela existência de leis naturais verdadeiras eqüivale a indagar pela justificativa lógica das inferências indutivas.

Caso se pretenda estabelecer um meio de justificar as inferências indutivas, deve-se, inicialmente, procurar determinar um princípio de indução, isto é, "um enunciado capaz deauxiliar-nos a ordenar as inferências indutivas em forma logicamente aceitável". Tal princípio é fundamental para o método científico e eliminá-lo da ciência significaria privá-la do poder de decidir quanto à verdade ou falsidade de suas teorias, admitem indutivistas como Reichenbach.

Considera Popper que, por um lado, o princípio de indução não pode ser uma verdade lógica pura, tal como uma tautologiaou um enunciado analítico, pois se houvesse um princípio puramente lógico de indução, simplesmente não haveria problema de indução, uma vez, que neste caso todas as inferências indutivas teriam de ser tomadas como transformações lógicas ou tautológicas, exatamente como as inferências no campo da Lógica Dedutiva.

Portanto, o princípio de indução há de ser um enunciado sintético, isto é, numenunciado cuja negação não se mostre contraditória, mas logicamente possível. Desse modo, surge a questão de saber por que tal princípio deveria ser aceito e como poder-se-ia justificar-lhe a aceitação em termos racionais. Por outro lado, o princípio de indução tem de constituir-se em enunciado universal, senão vejamos. Se pretender considerar sua verdade como derivada da experiência, surgirãonovamente os mesmos problemas que levaram a sua formulação, pois para justificá-lo, teremos de recorrer a inferências indutivas e para justificar estas, teremos de admitir um princípio indutivo de ordem superior, e assim sucessivamente. Logo, a tentativa de fundamentar o princípio de indução na experiência fracassa, pois conduz a uma regressão infinita.

Popper observa que Hume já havia apontadoincoerências em relação ai princípio de indução. Argumenta Hume que "mesmo após observar freqüentemente a constante conjunção de objetos, não temos razão para tirar qualquer inferência concernente a qualquer outro objeto que não aqueles de que tivemos experiência". Se alguém sugerisse que a nossa experiência nos habilita, a partir de objetos observados. Hume diria: "Renovo minha indagação: como, a...
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