O principio do urbanismo da argentina

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O princípio do urbanismo na Argentina

Parte 1 – O aporte francês

Ramón Gutiérrez
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Ramón Gutiérrez traça um panorama do surgimento do urbanismo e sua introdução na Argentina, com a presença dos urbanistas e paisagistas franceses
como citar
GUTIÉRREZ, Ramón. O princípio do urbanismo na Argentina. Parte 1 – O aporte francês. Arquitextos, São Paulo, 08.087, Vitruvius, ago 2007 .
Apresença do urbanismo e do paisagismo francês na Argentina data sem dúvida das últimas décadas do século XIX em tempos em que argentinos como Felipe Senillosa (h) imprimiam em Paris seus projetos de expropriação para fazer avenidas diagonais em Buenos Aires (1). Nessa mesma época se editavam os primeiros tratados de urbanismo como a “Teoria da urbanização” de Ildefonso Cerdá (1867) e o deBaumeister (1876) que junto com as obras de Joseph Stubben (1890) e Raymond Unwin (1909) definiram o princípio desta nova disciplina urbanística (2).
Com a preparação do Plano de Melhoras que o município de Buenos Aires organiza entre 1894 e 1898, se encerra uma etapa onde os técnicos locais, ou estrangeiros com muitos anos de residência no país, impulsionam um planejamento urbanístico (3). A radicação naArgentina de paisagistas franceses da reputação de Charles Thays (1849-1934), que impulsionaria a rede de parques e praças e o prestígio de Paris como cidade “modelo”, marcariam uma linha persistente (4). As esporádicas visitas de Joseph Bouvard, outrora Diretor Geral da Exposição de Paris de 1900, convocado para os planos urbanos em Buenos Aires e Rosário teriam de consolidar esta faceta nocampo urbanístico (5).
Também foi muito importante em toda América Latina a participação dos urbanistas franceses na realização de planos para novas cidades ou para o acondicionamento de antigos assentamentos (6). Um caso demonstrativo foi o concurso para “A Nova Guayaquil” no Equador (1906) onde triunfou um projeto francês de uma cidade que nascia já com história, pois seu traçado lembrava ao dasvelhas cidades, segundo ponderava o jurado (7). Seguindo as tendências da pedagogia academicista da École des Beaux Arts, onde se formara a maioria destes arquitetos urbanistas, prevaleciam as idéias da “arte urbana” e o “caráter” que deviam assumir as cidades segundo sua categoria administrativa, o que determinava a projeção de suas avenidas e diagonais e a grandeza da edificação pública comoimpusera em Paris o Barão Haussmann (1809-1891) (8). O “Plano” adquiria a capacidade científica de por um lado representar a realidade existente e por outro de poder atuar sobre essa realidade corrigindo seus defeitos através dos conceitos higienistas, funcionalistas e de “arte urbana”.
No entanto é preciso apontar o impacto que desde a última década do século XIX havia causado a obra do austríacoCamilo Sitte “Derstadtebau” (1889), traduzida ao francês em 1902 e que, margeando as idéias do classicismo racionalista, esboçava através de seus estudos histórico-urbanos um certo “irracionalismo pangermanista que ressuscitava os valores emocionais do orgânico e do pitoresco” (9). Nesta perspectiva, Sitte negava a quadrícula como expressão de sociedades desprovidas de densidade histórica. Noentanto, como apontam os Collins, Sitte (1843-1903) ocupava um espaço central na recente profissão de urbanista, ainda que os planejadores alemães estivessem mais preocupados com as reformas administrativas municipais que com as cidades como obras de arte como sucedia com os franceses (10). O próprio Le Corbusier em seu manuscrito de 1910 sobre “La construction des villes” se apropria de idéias de Sitte,que depois criticará em sua primeira edição de “Urbanisme” (1925). Bardet com precisão assinalaria que o aporte de Sitte tinha resultado numa boa análise do passado, mas que não podia conduzir razoavelmente a projetos de futuro.
Como bem delimitava Leonardo Benévolo “O debate cultural da segunda metade do século XIX e dos primeiros decênios do XX segue centrado nos temas que se puseram em...
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