O outro do amor

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  • Publicado : 28 de novembro de 2012
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A descrença no Outro do Amor
Resumo:
O que causa a descrença no Outro do amor? É a promessa não cumprida pelo Outro? Diante dessa interrogação esse trabalho visa descrever a história clínica de uma paciente que interroga as promessas feitas pelo seu amado e que não foram cumpridas por esse Outro do amor. Diante desse impasse amoroso, pretendemos relatar as vinhetas clínicas do caso para emoutro momento fazermos as problematizações possíveis do caso clínico.
Caso clínico de S.D.
Começo esse trabalho, descrevendo o caso da paciente aqui identificada como “S”. O caso a ser relatado será de um rompimento amoroso vivido atualmente. Serão mencionadas algumas de suas falas, com o objetivo de explicitar os sentimentos por ela vivenciados nos momentos de sua profunda angustia, e dedescrever essa experiência de perda do objeto de desejo e o que posteriormente poderá ser relacionado com as manifestações do Outro de minha paciente.
“Eu sempre vou te amar, assim dizia o poeta Carlos Drummont de Andrade. Apesar daquelas horas de angústia que passei ao seu lado, bem do seu lado. Perdendo-te em cada lágrima. Odiando-te e ao mesmo tempo te querendo. Um querer de eternidade, tequerer tanto quanto insanidade”.
Nesse primeiro trecho, a paciente relata a partir de uma descrição poética o seu sofrimento diante de uma perda dolorosa e lenta do Outro do amor por ela idealizado. Descreve ainda o sentimento de ambivalência relacionado ao objeto perdido, sendo este um fenômeno que se presensifica na superação da perda, ou seja, o Luto.
Na próxima sessão poderá ser percebido odiscurso de desespero do Outro de minha paciente diante à ausência do Outro do amor, fato que a faz sofrer.
“Um querer de eternidade, te querer tanto quanto insanidade. E não querer mais nada além de hospedar em você! Que insanidade. Eu te amo! Eu chorei tanto. Você era meu namorado, Eu te perdi! Você não sabe o quanto eu sofri. E você viu, me viu morrendo”.
A expressão de eternidade podeser identificada como a ansiedade deste Outro (privado do objeto) de se manter em plena satisfação não podendo assim suportar qualquer aceitação do fim ou da perda propriamente dita.
Ainda nesse trecho atento-me a fala em “você me viu morrendo” como outro efeito dos sintomas de luto, onde o sujeito toma a perda do objeto como a representação da própria morte, experimenta então a perda do próprioeu, no momento em que o objeto a partir da via do prazer fora sido idealizado e internalizado no auge de sua satisfação. E assim neste caso fantasia-se a destruição de si mesmo.
Em outro momento da escuta clínica com essa paciente, a partir de sua própria fala em relação á pessoa amada ela afirma:
“Depois de ter você, tudo morreu dentro de mim. Em cada vez que imaginava você com outras. Meupensamento como lâmina, que me cortava de dentro para fora ao imaginar se alguma vez disse a ela que a amava. Imaginar tudo o que fez com ela depois de ter feito comigo, tudo o que fez por mim e pra mim, tudo o que me dizia. Tudo o que achei que era só comigo, só pra mim. Imaginar que todo o seu carinho, também foi dela. E agora você resolve voltar? É isso? Depois de ter desfrutado de outra mulher,de passar por aquelas mãos imundas. Agora é tarde, por que hoje eu não te quero mais. Hoje eu descobri que posso viver sem ti.”
Percebe-se aí que esta era uma relação onde a paciente reduziu o seu amante em objeto de posse, onde a satisfação do seu prazer era exatamente manipulá-lo, mediante as exigências egóicas. O eu constituído de “S” é dessa forma uma estrutura frágil de dependência real doobjeto, levando a dificuldade da superação da perda que nos remete a concepção da posição depressiva infantil descrita por Klein (1940), como fator que determina o desenvolvimento do sujeito normal e suas relações com as perdas externas e internas.
A posição transitória da paciente, ora de obtenção do objeto, ora de privação é o que possivelmente a mantém prisioneira desse Outro desejante, que...
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