O motim no bounty

Disponível somente no TrabalhosFeitos
  • Páginas : 7 (1721 palavras )
  • Download(s) : 0
  • Publicado : 2 de novembro de 2012
Ler documento completo
Amostra do texto
O motim no Bounty
Em 1789, o duelo entre um nobre oficial e um comandante plebeu nos mares do Taiti forjou o enredo de uma das tramas mais famosas da Marinha britânica
Henri W. Arthur | 17/09/2010 15h50
A tranquilidade era quase assustadora. Numa das cabines do Bounty, o navegador John Fryer anotou no diário: "Tudo muito quieto a bordo". Com proa grossa, popa quadrada, três mastros e 220toneladas, a embarcação era, na definição naval da época, um cúter, um navio de apoio. Com 95 pés (ou 29,40 m), era visto com afeto pelo tenente que o comandava, William Bligh. O "meu pequeno navio", como se referia a ele, estava naquele ano de 1789 entretido na missão de colher mudas de fruta-pão no Taiti, que serviriam de alimento a escravos nas colônias britânicas do Caribe. Uma viagem sem grandesexpectativas para a Marinha real, um oficial sem muito destaque, um navio sem pompa. Passaria batido se, pouco antes do amanhecer de 28 de abril, no meio do Pacífico, um grito do comandante não irrompesse no ar dramaticamente: "Assassinato!"

Vestindo apenas uma camisola curta (e sem nada por baixo), William Bligh foi arrancado de sua cabine por quatro homens armados, Fletcher Christian àfrente. Ele era o segundo-em-comando, membro de uma família tradicional e até então encarado com bons olhos por seu superior. Transtornado, conduziu Bligh ao convés empunhando uma baioneta. Mandou descer uma lancha de 7 m, na qual o comandante e mais 18 homens foram embarcados, com mantimentos suficientes para cinco dias. Assim, Christian, agora à frente do Bounty, poderia voltar ao encantador Taiti, àvida idílica de mulheres, tatuagens e música. O capitão foi deixado à própria sorte em um barco precário. "Eles estavam perto de Tofua (pequena ilha no reino de Tonga) e tinham todo o necessário para sobreviver", diz John Christian, descendente direto de Fletcher. Os desdobramentos daquele dia fizeram do motim no Bounty o mais famoso levante da história da mais importante Marinha de todos ostempos.

Em 23 de dezembro de 1787, com o apoio do poderoso Joseph Banks, 43 vezes presidente da Royal Society, o HMS (ou "navio de sua majestade") Bounty zarpou de Spithead, Reino Unido. William Bligh, tenente que navegara com o já imortalizado capitão James Cook, dirigia a viagem. Com ele, iam 45 homens, voluntários provavelmente encantados com a possibilidade de conhecer o enigmático Otaheite,como era chamado o Taiti.

Durante as primeiras semanas, o clima da tripulação era de paz e felicidade. A embarcação cruzou o Índico e passou pela remota Terra de Van Diemen (hoje a ilha australiana da Tasmânia), aonde somente quatro outros navios estrangeiros haviam chegado. Lá, Bligh teve seu primeiro problema. O carpinteiro William Purcell respondeu rispidamente a uma reprimenda por fazertiras de madeiras pesadas demais. A insolência bastaria para que ele fosse preso e enviado à corte marcial, mas Bligh, naquela terra inóspita e com uma tripulação diminuta, julgou não poder abrir mão de seu único carpinteiro. "Foram plantadas as sementes da eterna discórdia (...) com todos os oficiais", anotou James Morrison, o ajudante do contramestre em seu diário. O trajeto final, no Pacífico, foitenso, com direito a um marinheiro morto por infecção, três doentes com escorbuto e o médico, entregue ao alcoolismo. A fim de manter o ânimo de seus homens, o capitão instituiu a dança noturna. Quem não participasse ficava sem rum (a punição fazia parte da, digamos, estratégia de gestão de pessoas de Cook, a grande inspiração de Bligh).

O clima pesado se esvaiu quando surgiram os picosvulcânicos no horizonte. Canoas cercaram o Bounty, cheias de ilhéus encantados com os visitantes. Eles subiram a bordo e os afetuosos abraços trocados selaram o fim da jornada de dez meses. "O restante da tripulação agora sabia que as histórias que tinham enchido os seus ouvidos durante a longa e dura viagem pelo mar - sobre a beleza da ilha, as suas mulheres sexualmente desinibidas, o seu povo...
tracking img