O mito da caverna

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  • Publicado : 21 de abril de 2013
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O mito da Caverna

Para explicar o movimento de passagem de um grau de conhecimento para outro, no Livro VII da República, Platão narra o Mito da Caverna, alegoria da teoria do conhecimento e da paideía platônicas.
Para dar a entender ao jovem Glauco o que é e como se adquire o conhecimento verdadeiro, Sócrates começa estabelecendo uma analogia entre conhecer e ver.
Todos os nossos sentidos,diz Sócrates, mantêm uma relação direta com o que sentem. Não é esse, porém, o caso da visão. Para que a visão se realize, não bastam os olhos e as coisas coloridas, mas é preciso um terceiro elemento que permita aos olhos ver e às coisas serem vistas: para que haja um visível visto é preciso a luz. A luz não é o olho nem a cor, mas o que faz com que o olho veja a cor e que a cor seja vista peloolho. É graças ao Sol que há um mundo visível. Por que as coisas podem ser vistas? Porque a cor é a filha da luz. Por que os olhos são capazes de ver? Porque são filhos do sol: são faróis ou luzes que iluminam as coisas para que se tornem visíveis. A visão é, assim, uma atividade e uma passividade dos olhos. Atividade, porque é luz do olhar que torna as coisas as coisas visíveis. Passividade,porque os olhos recebem sua luz do Sol.
Conhecer a verdade é ver com os olhos da alma ou com os olhos da inteligência. Assim como o Sol dá sua luz aos olhos e às coisas para que haja mundo visível, assim também a ideia suprema, a ideia de todas as ideias, o Bem dá á alma e às ideias sua bondade para que haja um mundo inteligível. Assim como os olhos e as coisas participam da luz, assim também a almae as ideias participam da bondade e é por isso que a alma pode conhecer as ideias. E assim com a visão da passividade e atividade do olho, assim também o conhecimento é passividade e atividade da alma: passividade, porque a alma precisa receber a ação das ideias para poder contemplá-las; atividade, porque essa recepção e contemplação constituem a própria natureza da alma.
Assim como na treva nãohá visibilidade, assim também na ignorância não há verdade. E eikasía e a dóxa são para a alma o que a cegueira é para os olhos e a escuridão é para as coisas: são privações.

Analogia da Luz, diferença entre o sensível e o intangível:

MUNDO SENSÍVEL | MUNDO INTELIGÍVEL |
Sol | Bem |
Luz | Verdade |
Cores | Ideias |
Olhos | Alma racional ou inteligência |
Visão | Intuição |Treva, cegueira, privação de luz | Ignorância, opinião, privação de verdade |
Imaginemos, diz Socrátes, uma caverna subterrânea separada do mundo externo por um alto muro. Entre este e o chão da caverna há uma fresta por onde passa alguma luz exterior, deixando a caverna na obscuridade quase completa. Desde seu nascimento, geração após geração, seres humanos ali estão acorrentados, sem poder mover acabeça na direção da entrada, nem locomover-se, forçados a olhar apenas a parede do fundo, vivendo sem nunca ter visto o mundo exterior nem a luz do Sol, sem jamais ter efetivamente visto uns aos outros, pois não podem mover a cabeça nem o corpo, e sem se ver a si mesmos porque estão no escuro e imobilizados. Abaixo do muro, do lado de dentro da caverna há um fogo que ilumina vagamente o interiorsombrio e faz com que as coisas que se passam do lado de fora sejam projetadas como sombras nas paredes do fundo da caverna. Do lado de fora, pessoas passam conversando e carregando nos ombros figuras ou imagens de homens, mulheres, animais cujas sombras também são projetadas na parede da caverna, como num teatro de fantoches. Os prisioneiros julgam que as sombras de coisas e pessoas, os sons desuas falas e as imagens que transportam nos ombros são as próprias coisas externas, e que os artefatos projetados são seres vivos que se movem e falam.
Nesse ponto, Glauco diz a Socrátes que o quadro descrito por ele lhe pertence algo estranho, incomum e inusitado. Socratés, porem lhe diz que os prisioneiros “são semelhantes a nós”. E prossegue. Os prisioneiros se comunicam, dando nomes às...
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