O mercado e a moral

Disponível somente no TrabalhosFeitos
  • Páginas : 5 (1095 palavras )
  • Download(s) : 0
  • Publicado : 21 de setembro de 2012
Ler documento completo
Amostra do texto
O texto do livro “O que o dinheiro não compra” de Michael J. Sandel, nos fala a respeito de uma época de intensa comercialização de tudo quanto possível. O autor começa seu livro com a frase “Há coisas que o dinheiro não compra, mas, atualmente, não muitas”, que faz alusão a importância do valor de mercado que tem invadido o mundo e nossas vidas por consequência.
Segundo o texto, essa inversãode valores que vem ocorrendo tão intensamente se agravou de sobremaneira nas ultimas três décadas, porém os princípios humanos têm sido postos a “negociação” desde muito antes disso.
Vemos na história da religião a venda de indulgencias desde o inicio do século III, quando as autoridades eclesiásticas concediam-nas para redução de penas. A partir de então, passamos a ver uma degradação deprincípios naquela que deveria ser a maior “ponte” entre Deus e os homens, chegando ao absurdo da venda de objetos sagrados que nem se quer existiam até a venda de espaço no “Céu” (não que a coisa hoje esteja muito diferente). A situação chegou a tal ponto que se citava o seguinte: "Assim que uma moeda tilinta no cofre, uma alma sai do purgatório" (História. Volume Único. Gislane Campos Azevedo e ReinaldoSeriacopi. Editora Ática. 2007. Pág.: 143.).
Infelizmente, desde os primórdios da sociedade, o homem só vê valor naquilo que pode ser comprado, daí então se veem situações como as citadas no texto que parecem absurdos extremos, mas que retratam a que pé tem andado uma sociedade totalmente comercial. Usar o corpo para propaganda, pagar crianças para que façam aquilo que na verdade deveria estarsendo ensinado com necessidade, são apenas alguns exemplos de como as pessoas são ensinadas a venderem a si mesmas como se nossos corpos e o acumulo de conhecimento pudessem ser avaliados financeiramente.
O comércio hoje não se restringe apenas a objetos e bens de consumo, temos visto nos últimos dias uma supervalorização do “objeto” com relação à vida humana. Estamos vivendo o tempo dacoisificação de nossa espécie. A exemplo disso temos a proposta do novo código penal Brasileiro, dentre tantos absurdos como a legalização do aborto e do porte de entorpecentes, um chama atenção de maneira extrema e tem sido alvo de muitos comentários na mídia, tomemos por exemplo a postagem do site “Cena Diária” do dia 02 de setembro de 2012:

Pune-se no projeto a omissão de socorro a animais em perigo,com prisão de um a quatro anos. Em contrapartida, a omissão de socorro a um ser humano em idêntica situação gera prisão de apenas um a seis meses, ou multa. Portanto, entre se omitir no socorro a um cão atropelado ou uma criança, é mais vantajoso deixar a criança para trás.

O ato de promover uma "rinha de galos" é punido com dois a seis anos de prisão, pena bem superior ao ato de provocarintencionalmente uma lesão em um humano, que incorre em prisão de seis meses a um ano.
Molestar baleias e golfinhos gera pena de prisão de dois a cinco anos. Molestar sexualmente um adolescente, sem grave ameaça ou violência, deixa o criminoso no máximo dois anos preso. A comissão deixa claro que a proteção penal aos seres humanos é inferior à fauna.
(Raimundo Matos de Leão,http://cenadiaria.blogspot.com.br)

Os valores de mercado são postos e impostos a nós seres humanos, que passamos a ter valor pelo que possuímos e não pelo que nascemos. A “compra” dos valores humanos ocorre de maneira degradante como se pudéssemos comercializar a vida num todo. O texto nos fala a respeito da barriga de aluguel indiana, mas podemos ver situações como essas aqui mesmo em nosso país, quantas histórias seouvem de pais que vendem seus filhos com o argumento de que com outra família, ou até mesmo fora do país, os filhos terão mais chances de chegar a algum lugar ou de sobreviver. Nos dias de hoje fica extremamente difícil saber até onde vão os limites do sentimento, já que estes ficam em ultimo plano quando o assunto cai para o lado financeiro.
A indefinição do certo e errado nos dias atuais nos...
tracking img