O menino e o homem

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Fernando Sabino

O Menino no Espelho
Romance
Desenhos de Carlos Scliar 64ª EDIÇÃO

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EDITORA RECORD RIO DE JANEIRO • SÃO PAULO 2003

CIP-Brasil. Catalogacão-na-fonte Sindicato Nacional dos Editores de Livros, RJ. S121m 64ª ed. Sabino, Fernando, 1923O menino no espelho: romance / Fernando Sabino 64a ed. - Rio de Janeiro: Record, 2003.208p. I. Romance brasileiro. I. Título. CDD - 869.93 CDU- 869.0(81)-31

82-0684

Capa: Concepção de F. S. Desenhos e planejamento gráfico: CARLOS SCLIAR Proibida a reprodução integral ou parcial em livro ou qualquer outra forma de publicação sem autorização expressa do autor. Reservados todos os direitos de tradução e adaptação. Copyright© 1989 by Fernando Sabino. Rua Canning, 22, apt° 703,22081-040, Rio de Janeiro, RJ, Brasil.

DISTRIBUIDORA RECORD DE SERVIÇOS DE IMPRENSA S.A. Rua Argentina 171 - Rio de Janeiro, RJ - 20921-380 - Tel.: 2585-2000 Impresso no Brasil ISBN 85-01-91550-5 PEDIDOS PELO REEMBOLSO POSTAL Caixa Postal 23.052 Rio de Janeiro, RJ – 2092-970

EDITORA AFILIAD

O autor, à época dos acontecimentos narrados neste romance.

SUMÁRIO
PRÓLOGO O MENINO E O HOMEMCAPÍTULO I GALINHA AO MOLHO PARDO CAPÍTULO II O CANIVETINHO VERMELHO CAPÍTULO III COMO DEIXEI DE VOAR CAPÍTULO IV O MISTÉRIO DA CASA ABANDONADA CAPÍTULO V UMA AVENTURA NA SELVA CAPÍTULO VI O VALENTÃO DA MINHA ESCOLA CAPÍTULO VII O MENINO NO ESPELHO CAPÍTULO VIII MINHA GLÓRIA DE CAMPEÃO CAPÍTULO IX NAS GARRAS DO PRIMEIRO AMOR CAPÍTULO X A LIBERTAÇÃO DOS PASSARINHOS EPÍLOGO O HOMEM E O MENINO Dedicado à minha irmã Berenice

PRÓLOGO

O MENINO E O HOMEM

Q

UANDO chovia, no meu tempo de menino, a casa virava um festival de goteiras. Eram pingos do teto ensopando o soalho de todas as salas e quartos. Seguia-se um corre-corre dos diabos, todo mundo levando e trazendo baldes, bacias, panelas, penicos e o que mais houvesse para aparar a água que caía e para que os vazamentos não setransformassem numa inundação. Os mais velhos ficavam aborrecidos, eu não entendia a razão: aquilo era uma distração das mais excitantes. E me divertia a valer quando uma nova goteira aparecia, o pessoal correndo para lá e para cá, e esvaziando as vasilhas que transbordavam. Os diferentes ruídos das gotas d'água retinindo no vasilhame, acompanhados do som oco dos passos em atropelo nas tábuas largasdo chão, formavam uma alegre melodia, às vezes enriquecida pelas sonoras pancadas do relógio de parede dando horas. Passado o temporal, meu pai subia ao forro da casa pelo alçapão, o mesmo que usávamos como entrada para a reunião da nossa sociedade secreta. Depois de examinar o telhado, descia, aborrecido. Não conseguia descobrir sequer uma telha quebrada, por onde pudesse penetrar tanta água dachuva, como invariavelmente acontecia. Um mistério a mais, naquela casa cheia de mistérios. O maior, porém, ainda estava por se manifestar.

NAQUELE dia, assim que a chuva passou, fui como sempre brincar no quintal. Descalço, pouco me incomodando com a lama em que meus pés se afundavam, gostava de abrir regos para que as poças d'água, como pequeninos lagos, escorressem pelo declive do terreiro,formando o que para mim era um caudaloso rio. E me distraía fazendo descer por ele barquinhos de papel, que eram grandes caravelas de piratas. Desta vez, o que me distraiu a atenção foi uma fila de formigas a caminho do formigueiro, lá perto do bambuzal, e que o rio aberto por mim havia interrompido. As formiguinhas iam até a margem e, atarantadas, ficavam por ali

procurando um jeito deatravessar. Encostavam a cabeça umas nas outras, trocando idéias, iam e vinham, sem saber o que fazer. Algumas acabavam tão desorientadas com o imprevisto obstáculo à sua frente que recuavam caminho, atropelando as que vinham atrás e estabelecendo na fila a maior confusão. Do outro lado, entre as que já haviam passado, reinava também certa confusão. Enquanto as que iam mais à frente prosseguiam a...
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