O mecanicismo: descartes e newton

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  • Publicado : 3 de outubro de 2012
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O Mecanicismo: Descartes e Newton

Surge como oposição às concepções organicista e animista da natureza, herdadas de Aristóteles e dos teóricos medievais uma nova concepção da natureza que iria ser largamente aceita e desenvolvida: o mecanicismo.
O mecanicismo via a natureza como um mecanismo cujo funcionamento se regia por leis precisas e rigorosas. A maneira de uma máquina, o mundo eracomposto de peças ligadas entre si que funcionavam de forma regular e poderiam ser reduzidas as leis da mecânica.
O mecanicismo é uma escola filosófica que, além de marcar o início da era moderna, se confunde com ela. Ele surgiu como dupla reação ao universo orgânico concebido pelos gregos e ao cosmos teocêntrico sacramentado pelos medievais.
Simultaneamente liberto da trama dos deuses pagãos e dacausa única atribuída a Deus, o homem pode se despir intelectualmente da metafísica histórica e se perguntar: quem sou eu? Finalmente sozinho no mundo e tendo como ponto de partida a si próprio, libertou-se da carga de séculos de explicações divinas.
A essência da modernidade, como a imposição do sujeito, autor e produtor de si mesmo foi sintetizado na figura de René Descartes, considerado oprimeiro filósofo moderno porque materializou aquilo apenas esboçado por Sócrates. Descartes notou que mesmo quando se sonha, acredita-se que se está vivendo algo real, não existindo alguma coisa que marque a diferença entre as sensações experimentadas no sonho e aquelas em estado de vigília.
O mecanicismo é o antecessor do fisicalismo, uma doutrina que hoje em dia está no centro de grande parte dainvestigação dos filósofos contemporâneos. Tanto o mecanicismo como o fisicalismo são diferentes formas de reducionismo.
O que é o reducionismo?
É a idéia, central no desenvolvimento da ciência e da filosofia, de que podemos reduzir alguns fenômenos de certo tipo a fenômenos de outro tipo. Do ponto de vista psicológico e até filosófico, o reducionismo pode ser encarado como uma vontade de diminuirdrasticamente o domínio de fenômenos primitivos existentes na natureza. Por exemplo, hoje em dia sabemos que todos os fenômenos químicos são no fundo agregados de fenômenos físicos; isto é, os fenômenos químicos são fenômenos que derivam dos físicos - daí dizer-se que os fenômenos físicos são primitivos e que os químicos são derivados.
Mas o reducionismo é mais do que uma vontade de diminuir odomínio de fenômenos primitivos: é um aspecto da tentativa de compreender a natureza última da realidade; é um aspecto importante da tentativa de saber o que explica os fenômenos. Assim, se os fenômenos químicos são no fundo fenômenos físicos, e se tivermos uma boa explicação e uma boa compreensão do que são os fenômenos físicos, então teremos também uma boa explicação e uma boa compreensão dosfenômenos químicos, desde que saibamos reduzir a química à física.
O mecanicismo foi refutado no século XIX por Maxwell (1.831-1.879), que mostrou que a radiação eletromagnética e os campos eletromagnéticos não tinham uma natureza mecânica. O mecanicismo é a idéia segundo a qual tudo o que acontece se pode explicar em termos de contatos físicos que produzem empurrões e puxões.
Dado que omecanicismo é uma forma de reducionismo, não é de admirar que o principal objetivo de Descartes tenha sido o de unificar as diferentes ciências como se de uma só se tratasse, de modo a constituir um saber universal. Não via mesmo qualquer motivo para que se estudassem cada uma das ciências em separado, visto que a razão em que se apóia o estudo de uma ciência é a mesma que está presente no estudo dequalquer outra.
Todas as ciências não são mais do que sabedoria humana, que permanece sempre a mesma, por mais diferentes que sejam os objetos aos quais ela se aplica, e que não sofre nenhuma alteração por parte desses objetos, da mesma forma que a luz do Sol não sofre nenhuma modificação por parte das variadas coisas que ilumina.
Para Descartes a única coisa que realmente pode ser considerada...
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