O feminismo e a igualdade de gênero no antigo egito: uma utopia da emancipação feminina

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  • Publicado : 29 de outubro de 2012
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O Feminismo e a Igualdade de Gênero no Antigo Egito:
Uma Utopia da Emancipação Feminina(

Gregory da Silva Balthazar((

Introdução


Discorrer sobre o feminino por vezes é difícil, sobretudo das individualidades desse sexo, que longe de ser tratado como vítima, como proposto por uma historiografia tradicional, tem seu perfil construído ao longo da história. Muitas vezes ohistoriador que envereda pelos estudos de minorias, em especial os estudos sobre mulheres, acaba se deparando com a escassez e/ou com a fragmentação das fontes, o que demonstra que o silêncio como algo comum nas mulheres, pois faz parte de seu papel socialmente construído, assim, escrever uma história das mulheres foi durante muito tempo uma questão incongruente ou ausente.
De fato, as mulherespermaneceram, até recentemente, à margem da história, em especial, pelo fato de suas ações terem sido subestimadas ou remetidas a uma arena, vista até então, como sendo de menor importância, a saber, o privado. Tal fato abriu espaço para a construção de um problema na reconstituição da história do feminino, bem como fez com que a história se tornasse, pelo menos até metade do século XX, a História dametade da humanidade, ou seja, uma ciência voltada para a ação do homem no tempo. Entretanto, o século XX foi marcado pela ação de um movimento de contestação social: o feminismo[1], o que levou historiadoras a:
reivindicar a importância das mulheres na História [o que] significa necessariamente ir contra as definições de História e seus agentes já estabelecidos como‘verdadeiros’ ou, pelo menos, como reflexões acuradas sobre o que aconteceu (ou teve importância) no passado. E isso é lutar contra padrões consolidados por comparações nunca estabelecidas, por pontos de vista jamais expressos como tais. A história das mulheres (...) questiona a prioridade relativa dada à ‘história do homem’, em oposição à ‘história da mulher’, expondo a hierarquia implícita em muitos relatoshistóricos (SCOTT, 1992: 77-78).


Nessa premissa, o pensamento de Joan Scott, que é uma árdua crítica desta abordagem oferecida pela história das mulheres, permite entender que esta forma de pensar a história, assim como o movimento feminista, do qual é fruto, passou a contestar a ordem vigente no campo da ciência histórica, ou seja, o domínio masculino da história e sua pré-disposição emtratar somente o homem como objeto de estudo. Assim, as pesquisadoras, da segunda onda feminista, então envolvida com história das mulheres, adotaram como abordagem teórica o patriarcado.
Em uma noção mais básica, como apresentada por Maria Garretas (1994: 72), pode-se definir a estrutura patriarcal como resultado da histórica tomada do poder por parte dos homens sobre as mulheres, cujoagente ocasional foi de ordem biológica, mas que foi elevado à categoria política e econômica. Essa tomada de poder passou forçosamente pela submissão das mulheres à maternidade, à repressão da sexualidade e à apropriação da força de trabalho total do grupo dominado, do qual o primeiro, mas não o único produto, são os filhos. Em consonância a essa visão, conforme apontado por Françoise d’Eaubonne(1977: 7), as feministas trabalharam com a idéia de que teria existido, antes dessa forma social do patriarcado, uma forma de comunidade humana ou cultural centrada na mulher e na sua fecundidade, que classifica-se em duas formas: o matriarcado e a matrilinearidade. A primeira é a forma social na qual o poder é exercido pelas mulheres, em especial pelas mães, e a última é uma estrutura social na quala tradição sócio-cultural é transmitida e assegurada pela figura da mulher.
A busca dessas sociedades pré-patriarcais remeteu os estudos femininos aos períodos da história da humanidade denominados de Pré-história e Antiguidade, como foi o caso do antigo Egito. Assim, as feministas utilizaram a antiga civilização faraônica para exemplificar a existência de uma estrutura social...
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