O estado moderno e a sociedade civil nos classicos da teorias politicas

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Marcello FERNANDES; Nazaré BARROS | Introdução à Filosofia, p. 14-16 |

A atitude natural perante o mundo produz, a partir das experiências vividas pelos homens, um tipo particular de conhecimento geralmente designado por Senso Comum. Este é o modo comum e corrente do conhecimento humano que se adquire no contacto direto com a realidade. Assim, o senso comum é este saber empírico e imediato queadquirimos espontaneamente sem nenhuma procura sistemática ou metódica e sem qualquer estudo ou reflexão prévia.
A expressão senso comum designa, também, um conjunto de saberes e opiniões que uma determinada comunidade humana acumulou no decorrer do seu desenvolvimento. Sendo produto das experiências vividas por um povo ou por um grupo social alargado, esse saber comum constitui um patrimónioque herdamos das gerações anteriores e que partilhamos com todos os indivíduos da comunidade a que pertencemos.
Esta herança cultural que constitui o senso comum manifesta-se tanto em relação aos comportamentos ligados à sobrevivência imediata, o comestível e o não comestível, o perigo e a segurança, como em relação aos sentimentos e valores que organizam e situam o desenrolar da vivência doshomens, tais como o belo e o agradável, o bem e o mal, o justo e o injusto.
Dificilmente conseguiríamos sobreviver se não pudéssemos extrair da nossa experiência do mundo e da vida este grande conjunto de conhecimentos que servem de guia para as nossas ações e decisões do quotidiano, de orientador das nossas relações com os outros homens e de instrumento para a nossa adequação ao meio em que vivemos.Assim, as nossas ações, os nossos julgamentos e as nossas preferências do quotidiano tomam como fundamento e ponto de partida esses conhecimentos que ou nos foram legados pela tradição, ou foram por nós adquiridos na nossa relação direta e espontânea com o mundo. Os primeiros, sem a necessária reflexão crítica, os segundos, sem um método e uma investigação intencionalmente pré-estabelecida.
Se,por um lado, a constância e repetição das experiências conferem ao saber comum que delas extraímos uma credibilidade e uma confiança que conduzem à generalização dos casos particulares em princípios e regras de atuação e julgamento, por outro, a ocorrência de novas e diferentes experiências, que contradizem a nossa crença e os nossos hábitos, revelam os limites que o senso comum possui como pontode partida e fundamento para um verdadeiro conhecimento da realidade. É esta dupla condição que torna o senso comum uma realidade cultural multifacetada.
 

Caracterização do senso comum
O conhecimento vulgar ou popular, às vezes denominado senso comum, não se distingue do conhecimento científico nem pela veracidade nem pela natureza do objeto conhecido: o que os diferencia é a forma, o modoou o método e os instrumentos do "conhecer".
[...] Pode-se dizer que o conhecimento vulgar ou popular, latu sensu, é o modo comum, corrente e espontâneo de conhecer, que se adquire no trato direto com as coisas e os seres humanos: "é o saber que preenche a nossa vida diária e que se possui sem o haver procurado ou estudado, sem a aplicação de um método e sem haver refletido sobre algo" [...]. Oconhecimento popular caracteriza-se por ser predominantemente:
- superficial, isto é, conforma-se com a aparência, com aquilo que se pode comprovar simplesmente estando junto das coisas: expressa-se por frases como "porque o vi", "porque o senti", "porque o disseram", "porque toda a gente o diz";
- sensitivo, ou seja, referente a vivências, estados de ânimo e emoções da vida diária;
- subjetivo,pois é o próprio sujeito que organiza as suas experiências e conhecimentos, tanto os que adquire por vivência própria quanto os "por ouvir dizer";
- assistemático, pois esta "organização das experiências não visa uma sistematização das ideias, nem na forma de adquiri-las nem na tentativa de validá-las;
- acrítico, pois, verdadeiros ou não, a pretensão de que esses conhecimentos o sejam não se...
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