O esquecimento

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  • Publicado : 28 de novembro de 2012
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RESUMO
Apresenta-se uma revisão das teorias pioneiras que buscaram explicar o fenômeno do esquecimento, que é aqui considerado como o fenômeno no qual há uma incapacidade de lembrar informações que estavam, anteriormente, disponíveis para serem recordadas. As teorias abordadas são: Deterioração, Interferência, Falha de Recuperação e Esquemas. Também são apresentados alguns efeitos experimentaisclássicos que deram suporte empírico a estes modelos sobre o esquecimento.
Descritores: Esquecimento. Memória. Interferência.
ABSTRACT
This study reviews the pioneer theories which sought to explain forgetting. Forgetting is presented as the incapacity to recall information that had been previously available. Theories approached include: Decay, Interference, Retrieval Failure and Schema. Someclassic experimental effects which provided empirical support for these models are also presented.
Index terms: Forgetting. Memory. Interference.
RÉSUMÉ
On présente une révision des théories pionnières qui ont cherché à expliquer le phénomène de l'oubli qui est ici considéré comme un phénomène dans laquelle il y a une incapacité à se souvenir d'informations qui étaient, antérieurement,disponibles pour être évoquées. Les théories abordées sont : détérioration, interférence, manque de récupération et de schémas. On présente également quelques effets expérimentaux classiques qui ont donné un support empirique à ces modèles sur l'oubli.
Mots-clés: Oubli. Mémoire. Interférence.


A maioria de nós só presta atenção na própria memória quando ela falha. Essa atenção é maior ainda quandoos lapsos nos deixam em situações embaraçosas ou nos impedem de realizar tarefas importantes. É extremamente desagradável, por exemplo, ser apresentado a uma pessoa num dia e, alguns dias depois, ao encontrá-la novamente, não se lembrar do seu nome. Nesses momentos podemos até ter acessos de raiva, afirmando que nossa memória não funciona direito ou que estamos amnésicos.
Não faltam acúmulos naliteratura científica acerca da falibilidade da memória (Schacter, 2001). Ao contrário do que pensavam muitos filósofos da Grécia antiga, a memória humana não tem a propriedade de ser uma representação fidedigna dos eventos experienciados. A metáfora de Platão, em que a memória humana era comparada com um aviário e as memórias específicas eram pássaros que eram posteriormente capturados (lembrados)é, hoje em dia, sabidamente inadequada. Embora muitos modelos de memória bem posteriores utilizem uma metáfora semelhante, o principal problema está em considerar que uma lembrança precisa e específica é a regra, e não a exceção. Nossa memória, portanto, não é como um video-tape. Ela apresenta inúmeras falhas (Stein & Pergher, 2001) e, dentre elas, o esquecimento.
Muitas pessoas acreditam que oesquecimento seja algo ruim, indesejado, e afirmam que gostariam de ter uma memória melhor. Isso é perfeitamente compreensível, se pensarmos nas diversas vezes em que ficamos frustrados por esquecermos de algumas coisas, como um conteúdo que caiu numa prova ou o telefone de uma pessoa que conhecemos.
Todavia, um outro aspecto do esquecimento, aquele que diz respeito às vantagens de esquecer, éfreqüentemente negligenciado. Imagine se você tivesse uma memória perfeita e se lembrasse de absolutamente tudo aquilo que já vivenciou. Embora imaginar tal fato seja um tanto quanto difícil, uma conclusão pode ser tirada: você não conseguiria ter idéias do genérico, não conseguiria trabalhar com o abstrato, você seria "escravo do particular" (Bruner, Goodnow, & Austin, 1956, citados por Pozo,1994/1998).Sternberg (1996/2000) corrobora tal posição ao descrever os problemas enfrentados por S. F., um mnemonista (pessoa com uma capacidade de memória extraordinária), que tinha dificuldades para compreender conceitos abstratos, chegando até a considerar que sua memória era um estorvo.
Dessa maneira, tendo em mente que a nossa inteligência é fruto, em grande parte, da nossa capacidade de...
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