O discurso do padre antonio vieira

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  • Publicado : 22 de janeiro de 2013
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O DISCURSO DO PADRE ANTONIO VIEIRA

Ao analisarmos o poder da argumentação e convencimento do padre Antônio VIEIRA, elegemos seus sermões como objeto principal de nosso estudo, a obra de Vieira é riquíssima em estilo, imagens e temáticas, a oratória de seus sermões eram e são ainda hoje, famosas por sua eloqüência, capacidade de persuasão, convencimento e envolvimento do leitor/ouvinte. Para issoé importante conhecermos a história de VIEIRA e o período histórico no qual ele viveu, sua importância política e os ideais que defendia, pois o contexto é necessário para que visualizemos o impacto dos discursos de VIEIRA, e que a intenção que ele possuía ao emitir suas mensagens.

E são justamente esses aspectos que procuraremos demonstrar através de nossa pesquisa, assim pretendemosidentificar os recursos utilizados por VIEIRA em seus sermões, especificamente o Sermão da Sexagésima.
Assim, para empreendermos essa jornada na obra de Antônio Vieira buscamos apoio no texto de OSAKABE (1999) “Argumentação e discurso político”, em que falar das condições de produção que envolve um texto nos remete ao que ele distingue com produtor individualizado e produtor socializado. Onde no primeirocaso temos um produtor que traz à sua obra o ponto de vista a partir de sua história individual. No segundo caso, o do produtor socializado, encontramos um sujeito determinado pelas condições sociais em que vive, sendo por elas determinado. Assim, segundo OSAKABE (1999, p. 51) “A solução do impasse criado por essa dupla direção parece estar na possibilidade de considerar basicamente a natureza dodiscurso, produzido a fim de, a partir daí, tentar-se equacionar seu interesse dominante”. Assim é necessário e mais importante considerar o meio da produção do discurso de forma mais “neutra” para que os objetivos da análise não se comprometam com um interesse prévio, de forma que através dessa análise “descomprometida” se possa pensar as condições de produção através do próprio discurso.
Em seussermões, VIEIRA tem como tema uma metáfora: pregar é como semear, para tanto ele traça um paralelo entre a Parábola do Semeador, encontrada na Bíblia, e a arte de pregar, estabelecendo assim uma metalinguagem. Nesse sermão VIEIRA estabelece uma crítica aos outros pregadores, seus contemporâneos, dizendo que pregavam mal, usando vários assuntos ao mesmo tempo de forma ineficaz e procuravam agradarmais ao homem do que a Deus.

O semeador e o pregador é o nome; o que semeia e o que prega é ação; e as ações são as que dão o ser ao pregador. Ter o nome de pregador, ou ser pregador de nome não importa nada; as ações, a vida, o exemplo, as obras, são as que convertem o Mundo. O melhor conceito que o pregador leva ao púlpito, qual cuidais que é? – É o conceito que de sua vida têm os ouvintes.Antigamente convertia-se o Mundo, hoje por que se não converte ninguém? Porque hoje pregam-se palavras e pensamentos, antigamente pregavam-se palavras e obras. (grifos nossos)

Percebemos que a metalinguagem se faz presente em todo o texto, em que Vieira faz uso de seu sermão para falar de como os sermões de sua época estavam sendo feitos.
É necessário para se compreender as condições de produção dodiscurso fazer um breve estudo sobre os atos da linguagem. Para esse aspecto OSAKABE (1999) discorre sobre o estudo de Austin a respeito dos atos que para ele são três: locucionário, ilocucionário e perlocucionário. No momento em que o sujeito emite um enunciado, primeiramente, ele realiza um ato de locução (fonética, gramatical e semântica); em segundo lugar o sujeito realiza um ato de ilocução(produzido pelo próprio ato de falar); e em terceiro temos o ato de perlocução (produzido pelo ato de dizer, isto é, em decorrência do ato de dizer).
OSAKABE (1999) confere aos atos perlocucionários uma maior importância e o discute com mais atenção, pois segundo OSAKABE, esse ato possui uma dependência maior de uma relação do tipo eu/tu, essa relação significa um contato entre um locutor e um...
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