O discurso destoante do velho do restelo em “os lusíadas”

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  • Publicado : 18 de junho de 2012
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O discurso destoante do Velho do Restelo em “Os Lusíadas”

Resumo:
Este artigo tem como finalidade fazer uma análise do discurso destoante do Velho do Restelo, presente no livro “Os Lusíadas”, de Luís de Camões, discurso esse, que contesta à exaltação heroína dos portugueses, na viagem marítima em busca de poder, fama e riqueza. Tal análise terá embasamento nos livros: Memorial de Convento, deJosé de Saramaro; o Auto da índia, de Gil Vicente; além de utilizar para comparação o poema Mar Português, de Fernando Pessoa.

Palavras-chave: Lusíadas, Camões, Restelo, discurso, velho, exaltação.









O DISCURSO DESTOANTE DO VELHO DO RESTELO EM “OS LUSÍADAS”

Este artigo tem como objetivo analisar o discurso destoante do Velho do Restelo, tendo como objeto de estudoo livro “Os lusíadas”, de Luís de Camões. Poema épico cujo enfoque central é a viagem de Vasco da Gama e sua descoberta do caminho marítimo para as Índias entre 1497 e 1498. É por meio destes acontecimentos que Vasco retrata os grandes feitos da história de Portugal.
O episódio do Velho do Restelo inicia-se relatando a partida das naus para a grande viagem, com o comando de Vasco da Gama. Nomomento em que os navios portugueses estavam prestes a se alargar, os familiares e amigos dos marinheiros reúnem-se na praia do Restelo para despedir-se daqueles que amam.
Em consequência dos perigos e da possibilidade de nunca mais voltar, em que os marinheiros estavam sujeitos, as esposas estavam cobertas de tristeza, lágrimas e lamentos. Como podemos perceber na estrofe a seguir, as mulheresindagavam sobre como o seu marido era capaz de arriscar a vida no mar bravio, nas incertezas do mar e dos ventos, trocando assim o seu sentimento verdadeiro em favor das navegações que a tudo obrigam, deixando então, apenas a saudade.

“Ó doce e amado esposo,
Sem quem não quis Amor que viver possa,
Por que is aventurar ao mar iroso
Essa vida que é minha, e não é vossa?
(CAMÕES, 2002 p.137)Naquele instante, em meio inúmeras pessoas, hei que surge um velho de aspecto respeitável, que olhando de forma negativa, faz um discurso condenando aquela aventura no mar desconhecido a que os marinheiros se sujeitavam, aventura na qual para ele era movida pela cobiça, poder, ganância, fama e vaidade. Tal discurso representa a visão contrária à exaltação aos ideais da expansão marítima,que vem contrapondo se era viável os marinheiros enfrentarem riscos e sofrimentos, por ilusão de alcançar a tão sonhada glória.
Para o Velho do Restelo, o ato dos portugueses se entregarem às viagens marítimas por ganância, deixava cair no esquecimento o que de fato deveria ser prioridade, a preocupação com os perigos que o país enfrentava devido às ameaças dos mouros.
O fato de o VelhoRestelo ser ouvido sem constentação vale-se pela sua figura tão respeitada e autoritária. E ainda que ele venha repreender a atitude dos marinheiros, podemos constatar a dualidade na sua fala. Por um lado sua voz é carregada de experiências, e caracteriza-se pelo bom senso que adverte os navegantes das probabilidades de enfrentamento de perigos no mar. E por outro é conservadora, por sercaracterizada pela vida segura e não heróica, que pode ser entendida como oposição às navegações e ao expansionismo, ao passo que ele defendia a vida agrária e feudal.
Contrapondo com as idéias de Fernando Pessoa, em seu poema “Mar Português”, fica explicito que assim como no episódio do “Velho do Restelo”, há a problemática das navegações marítimas.
Observemos parte do poema:
Ó mar salgado, quanto doteu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!
(...)
Quem quere passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu.
(FERNANDO PESSOA)


Analisando este poema em consonância com o “Velho do Restelo”, destaca-se o tom de exaltação heróica e a apresentação dos...
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