O destino do jornal na era virtual

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  • Publicado : 27 de novembro de 2011
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Reflexos da contemporaneidade nos meios de comunicação: dilemas perante os avanços tecnológicos

Lourival Sant’Anna em “O Destino do Jornal”, faz uma análise dos principais veículos impressos do Brasil: A Folha de São Paulo, O Estado de São Paulo e O Globo, se debruçando sobre os dados da circulação dos três jornais na última década. A partir dessa pesquisa o autor constata que houveconsiderável queda na distribuição desses jornais, em parte causada pelo desinteresse dos leitores, além de outros fatores, como por exemplo, o advento da mídia on-line – mais acessível, mais barata e mais versátil.

Bernardo Kucinski discute em “Jornalismo na Era Virtual” as razões para a decadência do jornalismo que, segundo ele, vive hoje um “vazio ético” que se dá pela rendição dos jornalistasao que é ditado pelos proprietários dos meios de comunicação, seguindo seus interesses mercantis. Além da ditadura do discurso neoliberal, “deu-se no Brasil a uniformização ideológica [...] não pode ter confronto de ideias se todos os jornais compartilham de pensamento único” e, os jornalistas por sua vez, perdem o interesse pelo fazer jornalismo. Este vazio ético pode ser explicado, não só pelamanipulação da informação pelos grupos de interesse mas também pelo fim da demarcação entre o jornalismo e a assessoria de imprensa, a fusão mercadológica de notícia, entreterimento e consumo, a concentração de propriedade na indústria de comunicação e, principalmente, a celebração do individualismo e sucesso pessoal por uma mentalidade pós-moderna e neoliberal.

Em contrapartida, Lourivalexpõe em seu livro um argumento positivo dessa detenção do poder da informação nas mãos das famílias que estão há gerações no comando dos jornais. A ânsia por fazer um jornalismo de qualidade é visto nas redações pois a maioria dos donos são jornalistas e exigem matérias bem elaboradas, bem escritas e com uma apuração séria. O autor destaca, também, que apesar da preocupação com o lucro este não éo principal enfoque, como nos casos dos jornais controlados por acionistas.

Kucinski, por outro lado, sustenta a ideia de que a verdadeira liberdade do jornalista acaba sendo ofuscada pela vontade do oligopólio midiático, onde é forçado a ceder aos interesses privados. Não obstante, este oligopólio de indústrias de comunicação de massa encontra-se “em profunda crise com a queda nas tiragensdos jornais e revistas e queda na publicidade, fortemente individada pelo estritamento do mercado e pela invasão das multinacionais”.

Contra a concentração monopolista da liberdade de expressão, a internet surge como um lugar mais democrático, acessível e libertário onde o jornalista tem seu próprio espaço e domínio sobre ele (por exemplo nos blogs) e onde o leitor adquire voz. Nessadisputa quem perde são os veículos comunicadores tradicionais pois os anunciantes preferem divulgar seus produtos onde há maior acesso e interatividade. A pesquisa feita por Lourival em seu livro evidência essa migração da publicidade para a internet, que cresceu 2% entre 2001 e 2006, enquanto os jornais perderam mais de 6% do espaço destinado às propagandas.

Analisando os fatos destacados porambos os autores, é evidente a preferência da grande parte dos leitores pela mídia on-line, não só pelo seu dinamismo e facilidade de acesso a informação, mas também pela ausência (ainda que não totalmente) da censura e pelo fornecimento de notícias simultaneamente com a ocorrência de fatos.

O fato de a maioria das pessoas ter a possibilidade de acesso à produção de matérias faz com que hajauma diversidade de informações que são acessíveis a grande parte da população. Além disso a internet quebra a barreira entre o público e o privado desvinculando-se do mercado fechado da comunicação e ainda, permite uma maior interatividade dos leitores que podem debater sobre qualquer assunto no portal, por exemplo, da Folha ou em um blog, e ainda recebe resposta direta do autor.

Mesmo...
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