O currículo como política cultural - henry giroux

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  • Publicado: 27 de abril de 2013
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O Currículo como política cultural
( Henry Giroux )
Os dados abaixo são baseados nos livros:
Ideology, culture and the process of schooling (1981) e Theory and resistance in education (1983).
Na sua fase inicial, a crítica de Giroux esteve centrada, nesse momento, numa reação às perspectivas empíricas e técnicas sobre currículo então dominantes.
Giroux ataca a racionalidade técnica eutilitária, bem como o positivismo das perspectivas dominantes sobre currículo, pois se concentram em critérios de eficiência e racionalidade burocrática, deixando de levar em consideração o caráter histórico, ético e político das ações humanas e sociais e, particularmente, no caso do currículo, do conhecimento, contribuindo para a reprodução das desigualdades e injustiças sociais.
Giroux se inclinava,nesse momento, para uma posição que era claramente tributária do marxismo, mas queria evitar uma identificação com a rigidez economicista de certos enfoques marxistas.
A produção teórica da Escola de Frankfurt com ênfase na dinâmica cultural e na crítica da razão iluminista e da racionalidade técnica, ajustava-se perfeitamente a esse objetivo.
No momento em que Giroux começa a escrever, jáestavam em circulação teorizações críticas como podemos citar autores como Althusser, Bourdieu, Bowles e Gintis, não satisfeito com a rigidez estrutural e as conseqüências pessimistas, seu trabalho iria se concentrar, em boa parte, no desenvolvimento de uma cuidadosa crítica dessas perspectivas, bem como no esboço de alternativas para superá-las.
Bowles e Gentis tinham caráter mecanicista edeterminista, enquanto as críticas de Bourdieu e Passeron faziam do processo de reprodução cultural e social, dando peso excessivo à dominação e à cultura dominante. Giroux se inspirava mais na fenomenologia e nos modelos interpretativos de teorização social do que nos diversos estruturalismos.
Na Inglaterra, a “nova sociologia da educação” estava preocupada em desenvolver análises que levassem em conta asformas pela quais estudantes e professores desenvolvem, através de negociações o próprio currículo e a vida educacional em geral., ou seja, a construção social pelos próprios agentes do espaço da escola e do currículo. Giroux critica essas análises por não darem atenção às conexões entre as formas de construção do currículo e as relações sociais de controle e poder. É na resistência que Girouxbusca bases para desenvolver uma teorização crítica, mas alternativa sobre a pedagogia e o currículo. Uma alternativa que superasse o pessimismo e imobilismo sugeridos pelas teorias de reprodução. Ele fala em “Pedagogia da possibilidade”, conceito central às teorizações da sua fase intermediária. Giroux sugere que existem mediações e ações no nível da escola e do currículo que podem trabalhar contraos desígnios do poder e do controle, devendo haver um lugar para a oposição, resistência, rebelião e subversão.
Giroux é influenciado pelo sociólogo inglês Paul Willis, que também estava insatisfeito com o determinismo econômico das teorias de reprodução, queria saber o que leva jovens de classe operária a voluntariamente escolher empregos de classe operária. Essa destinação é ativamente criadana própria cultura juvenil operária, pela masculinidade fortemente associada com a cultura operária do chão de fábrica.
É essa possibilidade de resistência que Giroux vai desenvolver em seus primeiros trabalhos, pois acredita ser possível canalizar o potencial de resistência demonstrado por estudantes e professores para desenvolver uma pedagogia e um currículo que tenham conteúdo político ecrítico das crenças e dos arranjos sociais dominantes. Giroux compreende o currículo fundamentalmente através de conceitos de emancipação e libertação. As pessoas precisam conhecer seu papel diante do controle das instituições e estruturas sociais para se emanciparem e se libertarem do poder e controle. Surgem então três conceitos fundamentais: “esfera pública”: escola e currículo devem ser locais...
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