O corpo na fronteira entre a medicina e a psicanálise: experiência subjetiva e reprodução medicamente assistida

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  • Publicado : 3 de abril de 2013
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1 TEMA

O corpo na fronteira entre a medicina e a psicanálise: experiência subjetiva e reprodução medicamente assistida.


1.1 Pergunta de partida:

Quais as implicações da concepção de corpo da ciência médica e seus métodos de reprodução medicamente assistida, para aqueles que buscam nestes a realização do desejo de conceber filhos?


2 JUSTIFICATIVA

Sabemos que os avanços daciência têm contribuído ao longo dos anos para uma melhoria da qualidade de vida das pessoas. É impossível pensarmos numa sociedade sem intervenções da medicina, tais como medicações, vacinas, procedimentos cirúrgicos, exames de imagem e outros. A reprodução assistida é mais um avanço da tecnologia médica que permite, através de procedimentos específicos, que pessoas inférteis possam ter filhos. Este éum campo recente de pesquisas e em contínuo incremento, já que em pouco mais de vinte anos, desde o nascimento do primeiro bebê de proveta, as técnicas têm evoluído e avançado para uma maior precisão e eficácia, aumentando a abrangência de mulheres e homens que podem se submeter aos procedimentos, bem como aumentando as chances de resultados positivos.

Baseado no pressuposto da antiga relaçãoentre psicanálise e medicina, a partir dos estudos freudianos sobre o pathos humano, enfatizo os benefícios deste estudo, tendo em vista suas contribuições à formação e atuação do psicólogo, e a atualidade que envolve as discussões sobre as evoluções tecnológicas no campo da procriação.

A nova realidade a qual a mulher está inserida, as transformações da sociedade nos últimos 50 anos, oferece-lheum novo lugar social que lhe possibilita a demora ao acesso a maternidade como desejo, tanto como determinante social da feminilidade quanto como ideal subjetivo (SIGAL, 2003). Assim as dificuldades de engravidar passam a constituir um aspecto de mulher contemporânea quando opta pela realização de outros frente às de maternidade, implicando em possíveis complicações orgânicas quando a mulherdecide engravidar, já que o período reprodutivo considerado ideal pela medicina termina por ser transgredido em termo de idade. Tais circunstâncias parecem endereçar à Medicina da Reprodução desafios aos quais respondem pela disponibilização de técnicas médicas que visem favorecer a fecundação, a gravidez e o parto.

Essa nova liberdade, impossível, acarreta um deslocamento do momento da decisão atéos limites do risco de fracasso. As mulheres entram, assim, em uma lógica do desafio. Elas esperam, até arriscarem a não mais poder ter um filho, para decidirem-se a querer tê-lo. É preciso, então, forçar a natureza e, às vezes, pode-se esperar muito tempo (CHATEL, 1995, p.57).

Nesse contexto de avanços científicos, as técnicas de reprodução assistida inserem-se possibilitando a procriaçãopara os casais inférteis. Os discursos médicos relacionados à mulher infértil promovem um estilo de vida revolucionador, onde o corpo feminino torna-se objeto de estudo, de auto-vigilância e de controle pelo saber biomédico (CORRÊA, 2001).

Sede do processo reprodutivo humano, o corpo da mulher é o alvo principal de pesquisas e inovações tecnológicas reprodutivas, e é dele que falam as normasmédicas da reprodução. Não apenas o corpo feminino é visado, mas o controle da mulher: de sua sexualidade até o seu papel na modernidade – sua responsabilização na educação e socialização das crianças - o que, completa a perspectiva eminentemente social da reprodução humana que atribui, ainda nos dias atuais, papéis diferenciados a homens e mulheres (CORRÊA, 2001, p.74).

A reprodução assistida noBrasil é amplamente divulgada pela mídia, e 86% dos brasileiros sabem no que ela consiste, sendo nas classes altas, que ela já é vista como uma tecnologia “naturalmente” disponível ou consumível (LOYOLA, 2003).

A infertilidade feminina pode ter várias causas associadas a ela tais como: infecções pélvicas e suas conseqüências como bloqueio de trompas e fibroses, causas hormonais, distúrbios...
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