O combate dos soldados de cristo na terra dos papagaios- luiz felipe baêta neves

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  • Publicado : 9 de outubro de 2012
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O COMBATE DOS SOLDADOS DE CRISTO NA TERRA DOS PAPAGAIOS- LUIZ FELIPE BAÊTA NEVES

I- A primeira vista, trata-se de um estudo sobre uma área ideológica do século XVI no Brasil. Um dos mais perniciosos modos de introdução de centramento é aquele que confunde um determinado tempo cronológico com todos os demais, reduzindo estes a uma única linearidade de sucessões onde o presente é apenas aquiloque se oferece fisicamente ao nosso olhar. Ilusória contemporaneidade que (pág. 15) sufoca as diferenças de ritmo, de coesão e de ruptura que marcam e diferenciam, distribuem e articulam as diferentes instâncias de uma formação econômico-social determinada. Os objetos que estudamos viveram no século XVI (e antes dele). Como negar a presença- autoritária e obscura- de um feixe de ideologias quepermeia desde práticas institucionais e políticas públicas e que trata das formas de exclusão e dominação, determinando suas regras?è dessas formas e regras que tratamos, especialmente no que atinge os indígenas brasileiros que tiveram contato com membros de uma ordem religiosa católica no século XVI – a Companhia de Jesus (pág. 16). Queremos, então, desvendar um pouco das relações de poder, dasdeterminações entre saber e poder, das articulações menos visíveis (mais capilares) entre Fé e Império.
II- As datas que balizam esta pesquisa são 1549 e 1570, respectivamente datas da chegada dos primeiros jesuítas ao Brasil, acompanhados do primeiro governador-geral, e morte de Nóbrega. As fontes essenciais são as cartas jesuítas de Nóbrega e Anchieta, especialmente para a análise da ideologiareligiosa (pág. 20 e 21).
CAPÍTULO I- A história da companhia de Jesus no Brasil é a história de uma missão. A missão supõe uma série de continuidades, ”geográfica, humana, temporal e assim sucessivamente. Supõe uma continuidade relativa; requer alguns pontos de segurança onde se possa apoiar para conquistar pontos esquivos, descontínuos. Esta, não aceita pontos descontínuos absolutos; quando temesua presença, ela os denuncia como inadequados (pág. 25). O pressuposto básico da missão é o de que a cristandade tem uma dimensão social que deve ser cumprida. A consciência moral cristã passa a assumir o risco de se lançar fora de si, em certo sentido de se dessacralisar em nome de uma ampliação do universo de Cristo. Ela quer a compreensão de um código que é ele próprio, a Verdade e o caminhopara a Verdade. Tal compreensão é de início, oferecida- se não é aceita pode ser imposta- sem contradições (pág. 27). Um cristianismo que considera que tem uma vocação universal e precisa exercê-la. A idéia de universalidade implica outras idéias: integração e unidade. Afinal, como admitir que Deus, tenha regiões “soltas” ou cindidas pelo faccionalismo? O Deus é um só. Expansão, universalidade,integração, unidade são noções caras a um Ocidente que se lança à sua maior aventura de conquista. A expansão ocidental é, na realidade, bifronte. Supõe uma incorporação territorial, alem da incorporação espiritual. A cristandade tem um gume temporal – o Imperador – e um gume espiritual – o Papa (pág. 28). A cristianização do mundo é a imposição de uma homogeneidade ideológica mas não implica umacontigüidade territorial (pág.29).Implica um projeto racional e humanamente estabelecido. Este projeto se instaura permanentemente: é um processo, um conjunto de políticas cuja formulação e implantação seriam impossíveis para um pensamento voltado apenas para si e para o alto. O “mundo” apesar de tudo é “cristão”:é uma realidade material, feita por Deus e que os homens- e particularmente sacerdotes –não tem o direito de ignorar (pág. 30).Assim as ideologia prospectivas puderam idealizar novos espaços, novas sociedades, novos tempos. Os projetos se dão no mundo secular: o homem deve ser agente e seu campo de atuação é também o mundo profano que não só deve ser considerado mas, também conhecido.a Criação do mundo foi um ato de vontade divina – as regiões secretas seriam a sede do Demônio na...
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