O cidadão de papel - resenha crítica

Disponível somente no TrabalhosFeitos
  • Páginas : 5 (1135 palavras )
  • Download(s) : 0
  • Publicado : 12 de junho de 2011
Ler documento completo
Amostra do texto
O CIDADÃO DE PAPEL – Resenha Crítica

Patrícia Menegazzi Caseiro

Sem dúvida, o livro "O Cidadão de Papel" (2ª edição), apesar de ter sido escrito no ano de 1994, retrata com fidelidade uma realidade cruel que ainda vivemos no Brasil: o descaso do Estado com nossas crianças.

O autor tem como seu maior objetivo desvendar as engrenagens que produzem uma"cidadania de papel".

O título, extremamente sugestivo, coloca em foco a distância que ainda estamos da verdadeira democracia. Segundo o autor, a verdadeira democracia implica o total respeito aos direitos humanos, o que ainda não ocorre em nosso país. Para ele, vivenciamos uma cidadania aparente, uma cidadania que está apenas no papel.

Dentre as engrenagens que produzemesse tipo de cidadania, estão o desemprego, a falta de escola, a desnutrição, o desrespeito sistemático aos direitos humanos. Todos eles, quando vistos pelo lado da infância, mostram a verdadeira realidade do país. É o melhor indicador do desenvolvimento de uma nação.

Segundo o autor, a infância revela melhor a realidade de um país que o ritmo de crescimento econômico ou a renda percapita, pois a criança é o elo mais frágil da cadeia social. “Nenhuma nação conseguiu progredir sem investir na educação”, o que significa investir na infância. A infância é o espelho do estágio de desenvolvimento econômico, político e social de um país.

O autor mostra com muita propriedade, com dados estatísticos da época de edição do livro (que perceptivelmente não demonstra umarealidade diferente da vivenciada hoje, 17 anos depois), que existe uma relação, a qual chama de "rede", entre (i) o mercado de trabalho, com profissionais frustrados, pois ganham pouco e não conseguem exercer sua profissão de forma digna, (ii) a crise no ensino superior, (iii) a violência nas ruas e (iv) o assassinato de crianças.

Chama de catástrofe silenciosa o ciclo formado entre adesnutrição e a educação precária ou a analfabetização, que tem como consequências a perpetuação da pobreza, o frágil crescimento econômico, as altas taxas de crescimento populacional e a destruição do meio ambiente.

Ressalta, a todo momento, que da proteção das crianças e dos adolescentes depende a prosperidade econômica, a estabilidade política e a integridade do meio em que vivemos.Para ele, o que ocorre com os ‘meninos de rua’ no Brasil é o sintoma mais agudo da crise social, demonstrando que não existe cidadania quando uma sociedade gera um ‘menino de rua’.

Uma analogia interessante, colocada pelo autor, está entre nossa postura hoje, de extrema aversão em relação aos acontecimentos com os escravos em período pretérito, com o que sentiremos nofuturo em relação aos ‘meninos de rua’.

Fala-se em Estado Democrático de Direito, em Democracia, mas não se consegue sequer proteger o direito mais elementar e importante do indivíduo: o direito à vida. Esse fato é ainda mais crítico quando se trata da vida de uma criança, um menino de rua, um adolescente, dos quais dependem as próximas gerações.

Interessante a analogiaque o autor faz da partilha de uma pizza com o problema da distribuição de renda no Brasil. Traz dados que comprovam a distorção existente em nosso país no que se refere à desigualdade social. Coloca, acertadamente, que a democracia significa mais que a igualdade de direitos políticos (como o voto, por exemplo). Significa o maior acesso à renda nacional por uma parte maior da população. Apenasisso garantiria maiores condições de igualdade e, consequentemente, a justiça social, condição para a cidadania.

Durante sua explanação, dá algumas sugestões para se amenizar o problema e lembra que a cobrança indireta de impostos é causa também de desigualdade social. Nesse contexto, coloca alguns exemplos onde essa cobrança deveria ser diferente, privilegiando a melhor distribuição...
tracking img