O choque entre culturas: etnocentrismo e etnografia em duas viagens ao brasil de hans staden.

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  • Publicado : 10 de janeiro de 2013
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O CHOQUE ENTRE CULTURAS: ETNOCENTRISMO E ETNOGRAFIA EM DUAS VIAGENS AO BRASIL DE HANS STADEN.

Fernando Soares de Santana Universidade Federal de Sergipe

RESUMO Desde a chegada dos europeus ao Brasil, cronistas e viajantes vinham narrando fatos e coisas relativas às novas terras, despertando assim a curiosidade não só de outros aventureiros, mais da população européia de um modo geral. HansStaden não muito diferente de outros viajantes e aventureiros europeus de sua época relata sua experiência nas novas terras e deixa para a posteridade um relato etnográfico dos costumes das sociedades nativas daquele período e de suas localizações geográficas naquela nova terra. Staden com o intuito de dar notícia dos acontecimentos que sucederam com ele, inconscientemente nos deixa um trabalhoetnográfico riquíssimo mesmo que com uma visão distorcida das sociedades ao qual ele manteve contato direto. Palavras – chave: cultura, etnocentrismo, etnografia, índios, europeus.

Ao longo dos anos na academia ouvimos repetidas vezes dos nossos mestres e doutores as palavras relativismo cultural, nos remetendo a uma certa “igualdade” entre as culturas e mostrando que aquela visão etnocêntricapautada no darwinismo social já se encontra de uma certa maneira superada – pelo menos é isso que esperamos. Contudo, sabemos que nem sempre essas idéias em determinados períodos eram partilhadas por todos, entendemos que a partir dos Annales o conceito de cultura e de relativismo cultural se estendeu devido à inserção de outras ciências humanas como a Antropologia, Ciências Sociais e outrosconhecimentos, aumentando assim o campo de estudo dos historiadores e dando novos alicerces teóricos para os mesmos:
De fato, os historiadores continuavam convencidos da superioridade radical de nossas civilizações oriundas da Antiguidade greco-romana e do cristianismo, do absurdo que haveria em compará-las com as culturas primitivas. A leitura dos etnólogos, pelo menos, fez esse preconceito vir abaixo.Todavia, na França, sua influência não foi tão determinante sobre o trabalho do historiador quanto nas universidades americanas, onde o historiador “social” não se aventura sem consultar as outras ciências sociais, a fim de nelas escolher um modelo adequando a seu corpus documentário. (ARIÉS, 1998, p.161).

Vemos que com a inserção de outras ciências sociais, o campo teórico metodológico dohistoriador se expandiu, promovendo assim um melhor entendimento de determinadas questões através da antropologia histórica. Até então, a história era feita através dos “grandes feitos” e “grandes homens”. Com os Annales e com a nova história, os objetos de estudo do historiador tornam-se os mais variados possíveis, a partir desse momento não só os grandes feitos mais todos os elementos produzidospelo homem e suas formas de comportamento dentro de um determinado contexto social era passível de estudo, ou seja, temos a partir de então as ferramentas necessárias para o entendimento de vários questionamentos dentro daquilo que denominamos de cultura. O conceito de cultura para nós é muito comum atualmente, entendemos que a cultura é toda a produção humana no que diz respeito aos seus símbolose significados e aos seus modos de saber e fazer determinadas coisas. Entretanto, esse conceito não era conhecido entre os europeus que colonizaram as Américas, o que predominava na mentalidade dos colonizadores e seus contemporâneos eram os relatos de viagens onde o imaginário se misturava ao real:
Desde cedo, portanto, as narrativas de viagens aliavam fantasia e realidade, tornando fluidas asfronteiras entre real e imaginário: aventuras fictícias [...] continham elementos extraídos do mundo terreno, aventuras concretas como as de Marco Pólo se entremeavam com relatos fantásticos, com situações inverossímeis que, tendo ouvido de alguém, o mercador acreditava ter vivido. (SOUZA, 2009, p. 37).

Não diferente de Marco Pólo e outros viajantes, Hans Staden traz no seu imaginário uma...
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