O catolicismo popular no brasil

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O catolicismo popular no Brasil
Resumo: Este artigo se propõe a analisar quais as principais tendências teológicas, sociológicas, antropológicas e históricas que permearam as discussões sobre o catolicismo popular a partir da década de 1960, influenciando na elaboração do conceito de catolicismo popular adotado pela academia, posto que considera provável estabelecer as principais linhas depensamento dos diversos autores, dos mais variados campos de conhecimento, que contribuíram para a configuração de um campo de estudos voltado ao fenômeno religioso durante o período de 1960 a 1990.
Palavras-chave: catolicismo popular, história religiosa, história das religiões, campo religioso.
Presenciamos nas últimas décadas, especialmente a partir da década de 80, um certo movimento entre oshistoriadores no Brasil, no sentido de efetivarem pesquisas sobre história religiosa e história das religiões. O que antes era objeto da sociologia, da teologia, da filosofia e também da antropologia, passou a ser interesse da história.
Se antes, o interesse dos historiadores se detinha na história das relações políticas e institucionais da Igreja, priorizando as relações entre Igreja e Estado, apartir da década de 80, surgem trabalhos que enfatizam os comportamentos a atitudes de determinados grupos religiosos. A antropologia religiosa passa a ser o referencial para o estudo dos rituais e das práticas religiosas. O interesse está em analisar como as pessoas se comportam diante do fenômeno religioso[1]. É no contexto de estudos realizados sobre as manifestações religiosas populares quenossa reflexão se insere, propondo o estudo de como diversos autores abordam e se posicionam frente ao que denominam de religiosidade popular.
Por se tratar de um conceito extremamente amplo e designar as mais variadas manifestações religiosas, optamos por seguir algumas diretrizes dos autores analisados no presente artigo: tomamos os termos religiosidade popular e catolicismo popular, comosinônimos.
Tendo como premissa o caráter histórico presente na construção dos conceitos[2] utilizados por uma sociedade, bem como o papel desempenhado pelo lugar social ocupado por quem constrói um determinado conceito[3] nossa reflexão parte do princípio de que consideramos provável estabelecer as principais linhas de pensamento dos diversos autores, dos mais variados campos de conhecimento, quecontribuíram para a configuração de um campo de estudos voltado ao fenômeno religioso durante o período de 1960 a 1990.
Procuramos, principalmente, analisar quais as principais tendências teológicas, sociológicas, antropológicas e históricas que permearam as discussões sobre o catolicismo popular a partir da década de 1960, influenciando na elaboração do conceito de catolicismo popular adotado pelaacademia.
Pierre Bourdieu[4] afirma que as relações de comunicação implicam não somente relações lingüísticas, mas também relações de poder simbólico. Os livros publicados pelos autores que escolhemos, representam as idéias de um determinado grupo social, que apesar de não ser homogêneo detém o poder de expressar opiniões e de legitimá-las por meio dos textos publicados.
Ao destacar aimportância dos estudos sobre religião no processo de caracterização de uma identidade nacional, Maria Isaura P. de Queiroz[5] afirma que os estudos sobre a religiosidade no Brasil tiveram seu início efetivado em fins do século XIX, quando os intelectuais brasileiros buscavam as características componentes do "ser brasileiro". "Ser brasileiro", significava esboçar "retratos do Brasil", evocar "imagens doBrasil", na procura das diferenças entre o Brasil e o restante do mundo.
Durante as décadas de 1970 e 1980, encontramos alguns autores que caracterizam a religiosidade a partir de seus lugares sociais, ou seja, antropólogos, sociólogos e teólogos, dentre os quais, destacamos os trabalhos de Candido Procópio Ferreira de Camargo[6] , Alba Zaluar[7] e José Comblin[8].
Na década de 1970, Carlos...
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