O caso dos exploradores de cavernas

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  • Publicado : 4 de abril de 2011
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A Ciência Precisa da Religião?
Roger Trigg
Resumo
Deve a ciência constituir um sistema fechado, assumindo que toda a realidade está ao seu alcance? Longe de ser autônoma, e de definir por seu método a natureza da racionalidade, a própria ciência se apóia em pressuposições fundamentais. Sem dúvida, podemos tomar por certa a regularidade e a natureza ordenada do mundo físico, bem como ahabilidade da mente humana de percebê-las. Mas o teísmo pode explicar esses fatos invocando a racionalidade do Criador.
O Poder da Razão
A idéia de que a ciência seja qualquer coisa menos autosuficiente ou o exemplo supremo da razão humana pode parecer extraordinária para muitos no princípio do século vinte e um. “Certamente” – dirão eles – “a ciência é, sim, a própria fonte do conhecimento, e ocritério de tudo o que for racionalmente aceitável.” A possibilidade de que ela necessite de justificação posterior, muito menos de um tipo religioso, será desconsiderada imediatamente por estes. Por essa razão, a ciência muitas vezes passa a impressão de ser segura e autoconfiante, e a fé religiosa, a impressão de sempre recuar frente ao avanço do conhecimento científico. Algumas vezes os crentesreligiosos colocam a sua fé na inabilidade atual da ciência de explicar alguma coisa. Tal é, no entanto, uma estratégia arriscada. O mero fato de que nós não sabemos o que causa alguma coisa não significa que devamos tomar Deus como a causa evidente. O problema pode ser resultante de uma ignorância temporária de nossa parte. Com um maior progresso científico, a lacuna em nosso conhecimento pode serpreenchida, e mais uma razão para a fé ser removida. O assim-chamado “Deus das lacunas” é um Deus que não fornece segurança, e que rapidamente pode ser tornado desnecessário. O recuo contínuo da fé foi representado de forma memorável no famoso poema “Dover Beach”, de Matthew Arnold, na metade do século dezenove (que hoje consideramos ter sido uma época religiosa). Observando a descida da maré, ele sereferiu ao “mar da fé” e “seu melancólico e longo bramido de ressaca”. A frase é muito citada e ainda tem certa ressonância. É fácil pensar que a ciência seria uma das causas principais da queda da crença religiosa, fato tão sem remorsos e predizível como o recuo do mar depois da maré alta. De fato a noção sociológica de secularização traz consigo muito dessas implicações. A visão é de que haveriauma progressão normativa para além da fé em direção a formas de olhar o mundo que dipensam qualquer necessidade da religião. Haveria, aparentemente, uma inevitabilidade quanto a este processo que significaria que toda religião está destinada a recuar até o ponto da extinção. É desnecessário dizer que, embora isso pareça ser acurado quanto ao estado atual da Europa Ocidental, não reflete arealidade social em outras partes do mundo, mesmo em lugares, como os Estados Unidos, onde a ciência moderna é influente. Poderia a ciência admitir a ação divina, ou a realização de qualquer intenção divina? Freqüentemente se pensa que ela pode ser compreendida em seus próprios termos, sem a necessidade de fazermo-la dependente de qualquer coisa além de si mesma.

Sobre o Autor
O Prof. Roger Trigg éProfessor de Filosofia da Warwick University, Presidente Fundador da Associação Filosófica Britânica e Presidente Fundador da Sociedade Britânica para a Filosofia da Religião, da qual é atualmente Vice-Presidente. Prof. Trigg tem publicado amplamente sobre o relacionamento entre ciência, religião e filosofia, incluindo Rationality and Science: Can Science Explain Everything? (Blackwell, 1993), eRationality and Religion: Does Faith Need Reason? 1 (Blackwell, 1998).

A ciência é assim vista como a mais pura expressão da razão humana, sendo a sua função pôr em fuga as forças da superstição e da fé cega. Este é o legado do Iluminismo do século dezoito, que tendia a ver o mundo como um mecanismo material autocontido, e a razão humana como a chave para compreender o seu funcionamento....
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