O brasil e o mercosul

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  • Publicado : 19 de novembro de 2012
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1. INTRODUÇÃO

O presente estudo tem como objetivo analisar o Brasil no Mercosul, bem como a importância do bloco para o mesmo. Para fazê-lo, é necessário analisar o histórico da presença do país no bloco e, em seguida, os efeitos e resultados econômicos do Mercosul no Brasil.
A primeira parte do presente trabalho analisa brevemente a trajetória do Mercosul, com foco iminente em questõespolíticas, dado o objetivo inicial do projeto: minimizar as tensões entre Brasil e Argentina. Ainda na primeira seção, é realizado um panorama sobre a perspectiva de integração monetária dentro do bloco, o que significaria um aprofundamento intenso no projeto de integração. Em seguida, analisa-se a participação e os fatores políticos brasileiros para o bloco, com foco na conjunturapolítico-econômica atual.
Na quarta seção do presente texto discutem-se especificamente as questões econômicas relativas à participação brasileira no Mercosul. Consideram-se não apenas os volumes totais de exportações brasileiras para o bloco, mas também a evolução e a atual situação das relações comerciais do Brasil com cada membro do bloco. Discute-se, por fim, a participação das regiões e estados brasileiros nocomércio com os demais membros do bloco.
Na conclusão, retomaremos alguns aspectos econômicos da discussão acerca da presença brasileira no Mercosul e clarificaremos o argumento segundo o qual as variáveis políticas freqüentemente importam muito quando analisamos o Mercosul enquanto ponto importante na agenda da política externa brasileira atual.

2 UMA NOÇÃO TEÓRICA

Partindo da noçãoteórica, é necessário destacar que o mercosul é considerada um regime de comércio interestatal, ou seja, uma instituição que atua no âmbito do sistema internacional.
Keohane disserta sobre este ponto, na medida em que avalia a relação entre os Estados e a influencia das Instituições. Na visão deste autor sobre a teoria realista de Kenneth Waltz o Estado passa a ser o principal ator das relaçõesinternacionais, e, comparado ao Homem do Estado de Natureza Hobbesiano, tende ao conflito:

“Os pressupostos centrais do realismo podem ser classificados de diversas formas, mas quatro são particularmente importantes: (1) os Estados são os principais atores na política mundial; (2) os Estados podem ser tratados como unidades homogêneas que buscam a realização dos interesses próprios; (3) a análiseprossegue no pressuposto em que os Estados agem como se fossem racionais; (4) anarquia internacional – a ausência de qualquer autoridade legitima no sistema internacional – significa que o conflito entre Estados que agem a partir do interesse próprio, acarreta o perigo de guerra e a possibilidade de coerção.” (KATZENSTEIN, KEOHANE, KRASNER, 1998, p. 658, Tradução nossa).

Levando em conta estespreceitos, Keohane avalia como falha a teoria realista no momento em que não valida a cooperação entre os Estados, apenas que estes se relacionam basicamente através do conflito. Keohane, em seus estudos, avalia que é possível que haja cooperação entre Estados, na qual as partes da relação resolvam seus problemas gerando ganhos mútuos. Assim, seria necessário um ator ceder benefícios em troca deoutros, evitando, pois, conflitos violentos. A cooperação, portanto, passa a ser benéfica para aqueles que ao fazerem o cálculo custo-benefício, avaliam que apesar de ceder, os ganhos da relação podem ser mais válidos que as perdas.
Keohane avalia a cooperação como um empreendimento altamente político, uma vez que padrões de comportamento devem ser alterados para que se consiga atingir a cooperação.Para isso, é necessário uma “policy coordination”, ou seja, ajustes políticos e adaptação de interesses mediante processos de negociação política entre os atores internacionais. (KEOHANE, 1984: 53-54)
Percebe-se então que para se estabelecer uma relação de cooperação é necessária a adaptação dos atores para que haja maior facilidade nos processos de negociação, adaptação esta, que se refere...
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