O brasil e a crise do petróleo

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  • Publicado : 13 de maio de 2011
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A substancial elevação autônoma não-antecipada do preço do petróleo em outubro de 1973 acarretou, além de ampla redistribuição da renda mundial a favor dos países da OPEP, uma série de problemas de adaptação para as nações importadoras.

A curto prazo os governos desses países se defrontaram na sua maioria com o problema de financiar os inesperados e vultosos déficits que acometeram então suasBalanças de Transações Correntes, e com a necessidade de diluir os custos da crise por todos os setores da sociedade, evitando assim que o peso do seu impacto fosse concentrado nos grupos diretamente ligados ao petróleo. Os problemas de médio prazo consistiam, como ainda em grande parte consistem, em escolher o “mix“ de políticas fiscais e monetárias que promovessem um processo adequado detransição da economia para o novo equilíbrio de longo prazo, que é dominado pela necessidade de ajustar a economia a três conseqüências fundamentais de elevação do preço do petróleo. A primeira e mais contundente se refere à queda da trajetória de crescimento da Renda desses países e conseqüentemente das suas trajetórias de consumo. A segunda se refere à queda da produtividade marginal dos capitaisinvestidos internamente com relação à taxa de juros internacional. Finalmente, a terceira diz respeito ao aumento do custo relativo de produção dos bens e serviços que utilizam petróleo intensamente.

A adaptação da economia às duas últimas conseqüências acima mencionadas constitui basicamente um problema de eficiência econômica. Mas a adaptação à queda da trajetória de Renda, conforme discutiremosmais detalhadamente no futuro, depende dos objetivos de crescimento dos países prejudicados, em particular dos prazos estabelecidos para o cumprimento de certas metas, e não pode ser resolvido apenas com base em considerações econômicas. Mas supondo-se por um instante que o equilíbrio de longo prazo possa ser razoavelmente bem especificado, o desafio fundamental de médio prazo consistia então emcomputar os benefícios e custos associados às diversas trajetórias e, portanto, às diversas velocidades de adaptação, e escolher aquela que maximizasse o valor presente da Renda real da economia.

Na prática, tanto os benefícios decorrentes de uma aceleração no ritmo de mudança, que podem ser essencialmente representados pela queda no valor presente do consumo de petróleo e pela queda no valorpresente dos juros que incidem sobre o montante de recursos reais necessários para financiar a passagem de uma situação para outra, como os custos, essencialmente relacionados com o aumento da taxa de desemprego dos fatores de produção mais rapidamente liberados, são difíceis de serem avaliados, não sendo portanto surpreendente que o processo de escolha da melhor trajetória de adaptação viesse aestimular grandes controvérsias.

Os países desenvolvidos optaram por uma estratégia de adaptação rápida, que consistiu basicamente (a) de um profundo corte nos gastos do setor público, (b) da adoção de um conjunto de medidas destinadas a reduzir drasticamente e a curto prazo o consumo de petróleo e (c) da liberação das taxas de câmbio, com o intuito de reduzir os déficits de suas balançascomerciais. Além disso iniciaram vultosos projetos destinados a promover a substituição do petróleo por outras formas de energia. Conforme se sabe esta estratégia provocou grande aumento da taxa de desemprego da mão de obra, cujo custo social foi em grande parte atenuado pelos sistemas de salário-desemprego existentes nestes países.

O Governo Brasileiro, ao contrário, optou por uma estratégiadenominada desaceleração progressiva sob as alegações de que uma política de tratamento de choque geraria desemprego em massa e poderia provocar grande desorganização do setor produtivo, de conseqüências imprevisíveis, e de que a crise havia aberto importantes oportunidades para substituir importações as quais deveriam ser imediatamente aproveitadas. Assim adotou-se uma estratégia que se caracterizou...
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