O brasil que os europeus encontraram

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  • Publicado : 29 de outubro de 2012
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O BRASIL QUE OS EUROPEUS ENCONTRARAM
Como era o "Brasil" nos primeiros tempos da colonização portuguesa, no eculo XVI e início do XVII? Como viviam seus habitantes? Como se deu o encontro de culturas tão distintas como a dos nativos e a dos portugueses e quais os seus resultados? Como eram as relações entre europeus e índios?

Os historiadores recorrem aos relatos escritos, fontes existentese variadas. Como os índios não tinham escrita, os relatos estudados são aqueles escritos pelos europeus que conheceram por algum tempo ou habitaram essas terras e se preocuparam em registrar suas impressões.

Essas fontes, claro, sempre incluem uma comparação automática com a Europa ou outros lugares já visitados. Também fazem referências constantes a histórias, relatos ou mitos conhecidos dosleitores da época como é o caso das lendas sobre o Paraíso Terrestre ou o Eldorado. Tais histórias contribuíam, muitas vezes, para constituir visões idealizadas sobre as novas terras.

È interessante perceber a originalidade das visões desses homens que viviam num tempo em que as ciências modernas estavam ainda para nascer e a religião era uma forte referência a orientar explicações einterpretações. Por um lado, em todos os primeiros relatos sobre o Novo Mundo, transparece a crença na possibilidade da existência terrestre do Jardim do Éden.

Por outro lado, se as idéias sobre a Idade do Ouro e o Jardim do Éden impregnaram o pensamento de todos os viajantes na época dos descobrimentos, isso ocorreu como menos força entre os portugueses. Talvez seu contato já antigo comas paisagensexóticas da África e da Ásia tivesse temperado sua imaginação com maiores doses de realismo.

Sabemos também por Caminha que os primeiros encontros entre nativos e portugueses foram pacíficos e amistosos. Clima agradável, natureza exuberante, habitantes cordiais e inocentes - descrições paradisíacas.

Porém, outras preocupações pareciam ocupar com mais força o imaginário dos europeus, ou seja, oque as novas terras poderiam trazer-lhes em termos de riqueza materiais imediatas e poderio político.

Em razão disso, foram empreendidos esforços para dominar a maior extensão possível do território e efetuar sua exploração econômica da maneira mais rentável possível do ponto de vista europeu, já que a colônia era tomada somente como uma extensão da metrópole, subordinada, portanto, aosinteresses de Portugal.

Entretanto, para legitimar a colonização e a dominação de outros povos, a metrópole adotou o discurso religioso, ou seja, justificava seus procedimentos pela necessidade de catequizar os nativos, "conquistá-los espiritualmente", "fazê-los conhecer a verdadeira fé", o cristianismo. (È bom lembrar que, nessa época, os reinos ibéricos buscavam o apoio ideológico da papado paraseus empreendimentos e que a religião era uma das bases das hierarquias sociais e do poder político na Europa).

Assim, no Novo Mundo, duas motivações levavam adiante o projeto colonial: exploração e catequese. Estas nem sempre caminharam lado a lado, muitas vezes mostraram-se contraditórias. A intenção dos religiosos de fazer dos selvagens bons cristãos e manter a sociedade colonial longe dospecados, vivendo sob princípios rigidamente católicos, chocavam-se com os mecanismo adotados pelos colonos para garantir o domínio sobre as terras e o sucesso de sua exploração econômica.

Se o Jardim do Éden imaginário dos europeus nãos e concretizou, alguns privilegiados construíram um "paraíso" bem concreto que lhes trouxe riqueza, poder e prestígio à custa de muitas vidas sacrificadas, deculturas exterminadas e da exploração predatória da natureza.
A NATUREZA

A extensão da costa , com a grande diversidade das paisagens, é a primeira imagem que se destaca, com a menção das léguas infindáveis de areias brancas, de florestas com árvores gigantescas, eternamente verdes, rios caudalosos e piscosos, ancoradouros favoráveis e terras próprias para o cultivo agrícola, a coleta e a caça....
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