O ato de estudar

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HÜHNE, Leda Miranda. O ato de estudar. HÜHNE, Leda Miranda (Org.). Metodologia científica: cadernos de textos e técnicas. 5. ed. Rio de Janeiro: Agir, 1992. p. 13-19. (Apresentação a partir do texto de Paulo Freire).


Paulo Freire, educador da atualidade, aponta a necessidade de se fazer uma prévia reflexão sobre o sentido do estudo. Segundo suas palavras: “Toda bibliografia deverefletir uma intenção fundamental de quem a elabora: a de atender ou desertar o desejo de aprofundar os conhecimentos naqueles a quem se oferece a bibliografia.”
Se falta o ânimo de usar a bibliografia em quem a recebe, ou se a bibliografia, em si mesma, não foi capaz de desafiá-lo, se frustra a referida intenção fundamental. A relação bibliográfica, então, permanece como um papel inútil, entreoutros, perdido nas gavetas de um escritório.
Essa intenção fundamental de quem elabora a bibliografia exige dele um tríplice respeito: a quem se dirige a bibliografia, aos autores citados e a ele mesmo.
A sugestão de leitura de livros não é cópia dos títulos ao acaso. Quem sugere deve saber o quê e por que sugere. Aqueles que recebem a relação bibliográfica, por sua vez, devem ternela, não uma rota dogmática de leitura, mas um desafio, desafio que vai se concretizando na medida em que vão estudando e não simplesmente lendo, por alto, os livros citados.
“Estudar, realmente, é um trabalho difícil. Exige, de quem a ele se propõe, uma posição crítica, sistemática. Exige uma disciplina intelectual que não se ganha a não ser praticando-a.”
Isto, infelizmente, é o quea educação “bancária” não estimula. Ao contrário, sua técnica reside, fundamentalmente, em matar nos educandos a curiosidade, o espírito investigador, sua criatividade. Sua “disciplina” é a disciplina para a ingenuidade frente ao texto, não para a indispensável criticidade.
Este procedimento ingênuo ao qual é submetido o educando, ao lado de outros fatores, pode explicar “as fugas do textoque os estudantes fazem, cuja leitura se torna puramente mecânica, enquanto, em imaginação, se voltam a outras situações. O que se lhes exige não é a compreensão do conteúdo, mas sua memorização.”
Paulo Freire nos ostra que em vez do estudante tentar compreender o texto, ele toma como único desafio a sua memorização.
No entanto, prossegue o autor, no caso de uma visão crítica, se dáexatamente o contrário.
Paulo Freire, no seu texto Considerações em Torno do Ato de Estudar, nos chama a atenção para os seguintes itens indispensáveis ao ato de estudar:
• O estudante deve assumir o papel de sujeito do ato de estudar.
• O ato de estudar é uma atitude frente ao mundo.
• O estudo de um tema específico deve colocar oestudioso a par da bibliografia em questão.
• O ato de estudar depende de uma atitude de humildade face ao saber.
• O ato de estudar significa compreender e criticar.
• Estudar significa assumir “uma misteriosa relação dialógica” com o autor do texto, cujo mediador é o tema!
• O ato de estudar, como reflexão crítica, exigedo sujeito uma reflexão sobre o próprio significado de estudar.

(Estes itens encontram-se explicitados no texto que se encontra no livro Ação Cultural para a Liberdade, Ed. Paz e Terra, RJ, p. 9-12).


A Leitura

No texto de Paulo Freire não só é possível analisar a própria atitude face ao estudo, como também se pode estudar a relação com a leitura. Não nos diz Paulo Freire que o atode ler só se realiza mediante um espaço de relação dialógica com o autor? Esta postura nos remete à questão do pensar. Todavia, na época atual, época dos meios de comunicação de massa, dos sistemas educacionais funcionalistas, de imediato não se consegue apreender claramente as dificuldades inerentes ao trabalho teórico. Mas o ato de ler, que é um ato de concentração, exige distanciamento e...
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