O Arco e o Cesto

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Havia entre os guaiaqui dois tipos de homens que carregavam cestos: Um denominado Chachubutawachugi era panema –não possuía arco e a única caça que podia exercer de vez em quando era a captura de tatus e quatis com as mãos. Esse tipo de caça para os guaiaqui está bem longe de apresentar a seus olhos a mesma dignidade que a caça com o arco.Chachubutawachugi era viúvo e nenhuma mulher queria saber dele. Sem esposa, sem arco. Perdia sua qualidade de homem e se achava assim, rejeitado no campo do cesto. Era alvo de caçoada geral, de homens, mulheres e crianças. Carregava seu cesto como homem, mesmo tendo perdido seu arco, pois queria mostrar que ainda era homem. Vivia nervoso, inquieto e frequentemente descontente.
O segundo caso é um pouco diferente. Krernbégi vivia como as mulheres, mantinha em geral os cabelos mais longos que os outros homens,- e só executava trabalhos femininos: ele sabia "tecer" e fabricava, com os dentes de animais que os caçadores lhe ofereciam, colares, que demonstravam um gosto e disposições artísticos muito melhor expressos do que nas obras das mulheres. Enfim, ele era evidentemente proprietário de um cesto. Ele recusava por exemplo tão seguramente o contato de um arco como um caçador, o do cesto; ele considerava que seu lugar natural era o mundo das mulheres. Krembégt era homossexual e não despertava nenhum tipo de atenção. Carregava seu cesto como as mulheres, sobre a testa. Vivia a vontade em seu papel de homem tornado mulher.
OS CANTOS
Eram feitos para diferenciar homens e mulheres.
O canto das mulheres jamais era um canto alegre, tratava se de uma saudação chorosa. Elas assumem no seu canto, toda a tristeza de seu povo. Os temas eram sempre a morte, a guerra, a doença. Eram praticados sempre de dia.
O canto dos homens dá a impressão de coro e é sempre feito a noite, impondo seu respeito como caçador e as nítidas diferenças entre homens e mulheres. A voz é poderosa, quase brutal, simulando às vezes, irritação. O, homem fala quase

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