O aprender do fazer (as representações sociais de assistentes sociais sobre o seu saber-fazer profissional): a dimensão educativa do trabalho

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REVISTA TEMPORALIS, n.º 04. Ano II – Jul/ Dez de 2001. Brasília, ABEPSS – (Associação Brasileira de Ensino e Pesquisa em Serviço Social).

INTRODUÇÃO
O Serviço Social e sua função social na divisão social e técnica do trabalho leva a se pensar na inserção dos assistentes sociais no mercado de trabalho observando a sua subordinação destes às novas formas e mudanças decorrentes das novasrelações estabelecidas do mundo do trabalho.
Aprender nas representações sociais o sentido atribuído pelo assistente social à dimensão educativa do seu trabalho, tendo em vista as particularidades e especificidades deste fazer- profissional.
O trabalho é uma forma de expressão deste homem, pela qual ele se cria e se objetiva, na sua subjetividade, na sua intencionalidade. Envolve, portanto, omundo dos homens na sua produção social, numa relação de unidade e luta com a natureza, transformando-a e sendo por ela transformados.
Não são, portanto, elaborações cientificas desvinculadas da vivência e da história, mas construções de sentido, logo construções simbólicas de homens nas relações que estabelecem entre si com o concreto.
Postula-se que as representações sociais do fazer- profissionaltem uma dimensão educativa, da mesma forma que o trabalho do profissional também o tem, ao potencializar ou reprimir as demandas as demandas sociais postas na contemporaneidade.
COLOCAÇÕES PRELIMINARES
Os processos de trabalho diferenciam – se de instituição para instituição, pela especificidade do que cada uma delimita como seu objeto. Pensar as particularidades das diversas instituições,tendo como referência as novas relações constituídas no mundo do trabalho, é algo imperativo para a categoria profissional, sobretudo por se entender que esse tem suas determinações calcadas nas transformações sociais, políticas, econômicas, culturais e psicossociais, que vem marcando a virada do milênio.
Insere- se no mercado de trabalho, nos limites postos pelas instituições. Nestes limites, estetrabalhador não é considerado em sua subjetividade. Nega esse saber, ao omitir a condição de possibilidade da subjetividade do profissional contratado. Nesta lógica, estabelece-se uma dicotomia (negada) entre o agir profissional demandado e o pensar do profissional que age, pela qual a possibilidade deste pensar é esvaziada, em sua riqueza potencial, pela afirmação de limites institucionaisobjetivos.
No concreto deste fazer, o profissional precisará ir construindo sínteses que lhe permitam situar-se e agir: a formação recebida, com as informações teóricas e técnicas que se lhe associam, os conhecimentos estruturados em outras experiências, profissionais ou não, os valores e símbolos que marcam seu cotidiano.
FORMAÇÃO E FAZER- PROFISSIONAL: CONJUNTO DISJUNTOS
O individuo busca apoio emteorias, articulando conhecimento sistematizados (com códigos específicos ) e “ teorias” do senso comum que lhes permitem atribuir sentido a este fazer e seus objetos.
Ainda que o processo formativo pretenda manter relação com o fazer – profissional, sua especificidade o torna um olhar sobre esse fazer, ou seja uma abstração do concreto, o olhar teórico sobre a prática é aquele característico adeterminados grupos de sujeitos conscientes, que buscam compreender e desvendar a pratica como objeto de conhecimento, e refletir sobre ela.
Salienta-se que os saberes construídos, ora na formação, ora no fazer- profissional não são necessariamente antagônicos; podem, sim, comportar contradições e complementaridades porque espelham o dinamismo da totalidade. Saber que é poder articular hegemoniasque justificam teorias e práticas. Saber e fazer não comporta neutralidade, pois espelham opções, estabelecendo proximidades e diferenças.
O isolamento do processo formativo, daquela formação que se efetiva no fazer- profissional, através do trabalho, reduz o primeiro a uma abstração e o segundo ao ativismo. Com características próprias a cada sujeito e a seu espaço de trabalho, a oposição...
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