O aporte da revista “cadernos do terceiro mundo” ao diálogo sul-sul

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O aporte da revista “Cadernos do Terceiro Mundo” ao diálogo Sul-Sul

36º Encontro Anual da Anpocs
Águas de Lindóia, SP 21-25 outubro, 2012

GT (GT26) Pensamento social latinoamericano Coord: Carlos Eduardo Martins (UFRJ), Sedi Hirano (USP) O aporte da revista "Cadernos do Terceiro Mundo" ao diálogo Sul-Sul

Dra. Beatriz Bissio Professora Adjunta Departamento de Ciência Política IFCS / UFRJ O aporte da revista “Cadernos do Terceiro Mundo” ao diálogo Sul-Sul

36º Encontro Anual da Anpocs GT (GT26) Pensamento social latinoamericano Coord: Carlos Eduardo Martins (UFRJ), Sedi Hirano (USP)
O aporte da revista "Cadernos do Terceiro Mundo" ao diálogo Sul-Sul Dra. Beatriz Bissio Professora Adjunta Departamento de Ciência Política IFCS / UFRJ Palavras-chave: Mídia; diálogo Sul-Sul;Movimento Não Alinhado; Relatório McBride, NOII, NOEI, Terceiro Mundo

Introdução Fundada em 1974, na Argentina, e relançada posteriormente no México (1976), em Portugal e África (1978), e também no Brasil (1980), a revista “Cadernos do Terceiro Mundo” desenvolveu mais de trinta anos de intensa atividade jornalística, cobrindo a temática internacional a partir da ótica de cientistas políticos,jornalistas e lideranças dos países do Terceiro Mundo. O ineditismo de sua proposta editorial e a abrangência de sua cobertura fez com que ela se tornasse referência obrigatória, por décadas, para estudos políticos, históricos e de relações internacionais nos meios acadêmicos do Terceiro Mundo e nos movimentos sociais, sindicatos, grupos de direitos humanos, ecologistas e foros internacionais dediversa índole. Seus jornalistas entrevistaram lideranças do porte de Nelson Mandela, Fidel Castro, Rigoberta Menchú, Omar Torrijos, Yasser Arafat, Muammar Khadafi, Saddam Hussein, Samora Machel, Agostinho Neto, Julius Nyerere, entre outros.

O aporte da revista “Cadernos do Terceiro Mundo” ao diálogo Sul-Sul

O trabalho visa analisar de que forma o fato de a revista ter circulado em espanhol,português e inglês na América Latina, África, Oriente Médio e parte da Ásia, fez com que ela desempenhasse um papel sui generis de promotora do diálogo Sul-Sul. Uma experiência pioneira, inspirada na proposta da NOII A revista “Cadernos do Terceiro Mundo” nasceu como consequência direta do exílio de milhares de lideranças políticas e sindicais, de profissionais liberais, jornalistas, estudantes emilitantes de variadas ideologias e origens, provocado pelo ciclo das ditaduras latino-americanas das décadas de 60, 70 e 80 do século passado. Mas também é herdeira da experiência acumulada pelo Movimento dos Países Não Alinhados (daqui em diante MPNA), que nos anos 70 e muito particularmente na IV Reunião de Cúpula de Argel de 1973, lançou duas propostas de enorme impacto e de extraordináriosignificado: a reivindicação de uma Nova Ordem Econômica Internacional (NOEI) e de uma Nova Ordem Informativa Internacional (NOII). Com a primeira iniciativa, o MPNA aspirava (muito ingenuamente, como os fatos vieram a demonstrar) a redesenhar a economia mundial, elevando os preços das matériasprimas (das quais eram os principais produtores), de forma a estabelecer uma relação mais equitativa com ovalor “de mercado” dos produtos industrializados. Impedir a queda persistente dos preços das commodities num cenário de alta significativa da produção industrial, da qual o Terceiro Mundo era carente, constituía, na análise dos dirigentes dos países periféricos, uma condição sine qua non para superar o subdesenvolvimento herdado da etapa colonial – uma etapa recém superada, para a maioria deles – epara diminuir a dependência, ainda muito forte, em quase todos os casos, das ex metrópoles. Com a segunda proposta, de Nova Ordem Informativa Internacional, os Países Não Alinhados visavam contribuir ao debate e oferecer alternativas ao progressivo processo de monopolização da mídia internacional, já naquelas décadas estreitamente ligada ao capital financeiro e controlada pelos mesmos núcleos de...
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