O alto da compadecida

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• O texto que vem a seguir é um fragmento da peça Auto da Compadecida, de Ariano Suassuna. Leia-o para resolver a questão 02. Auto dA CompAdeCidA CHiCÓ: Mas, padre, não vejo nada de mau em se benzer o bicho. JoÃo GRiLo: No dia em que chegou o motor novo do major Antônio Morais o senhor não benzeu? pAdRe: Motor é diferente, é uma coisa que todo mundo benze. Cachorro é que eu nunca ouvifalar. CHiCÓ: Eu acho cachorro uma coisa muito melhor do que motor. pAdRe: É, mas quem vai ficar engraçado sou eu, benzendo o cachorro. benzer motor é fácil, todo mundo faz isso, mas benzer cachorro? JoÃo GRiLo: É, Chicó, o padre tem razão. Quem vai ficar engraçado é ele e uma coisa é benzer motor do major Antônio Morais e outra benzer o cachorro do major Antônio Morais. pAdRe: (mão em concha noouvido) Como? JoÃo GRiLo: Eu disse que uma coisa era o motor e outra o cachorro do major Antônio Morais. pAdRe: E o dono do cachorro de quem vocês estão falando é Antônio Morais? JoÃo GRiLo: Eu não queria vir, com medo de que o senhor se zangasse, mas o major é rico e poderoso e eu trabalho na mina dele. Com medo de perder meu emprego, fui forçado a obedecer, mas disse a Chicó: o padre vai sezangar. pAdRe: (desfazendo-se em sorrisos) Zangar nada, João! Quem é um ministro de deus para ter direito de se zangar? Falei por falar, mas também vocês não tinham dito de quem era o cachorro! JoÃo GRiLo: (cortante) Quer dizer que benze, não é? pAdRe: (a Chicó) Você o que é que acha? JoÃo GRiLo: (a Chicó) Você o que é que acha? CHiCÓ: Eu não acho nada de mais. pAdRe: Nem eu. Não vejo mal nenhum em seabençoar as criaturas de deus.
Ariano Suassuna. Teatro moderno; Auto da compadecida. 8. ed. Rio de Janeiro: Agir/lNL 1971. p. 32-4.

b) Fanopeia: Maria Magdá, debutante de maio, esmaga um rouxinol na axila depilada, e Fred (Frederico) e Ted (Teobaldo) defloram seu batom nas tardes de Eldorado.
Haroldo de Campos

C) Melopeia: Tenho tanto sentimento Que é frequente persuadir-me De que sousentimental, Mas reconheço, ao medir-me, Que tudo isso é pensamento, Que não senti, afinal.
Fernando Pessoa

d) Fanopeia Me sinto perdida no meio da noite da noite tão triste tão triste de ver de ver que não vejo você meu desejo desejo tão triste tão triste de ter.
Aloysio Figueiredo e J. M. Costa. Gravação de Maysa

E) Fanopeia: E que prazer o meu! que prazer insensato! – pela vista comer-te opêssego do lábio, e o pêssego comer apenas pelo tato.
Gilka Machado
OSG.: 55200/11

02. Como se sabe, Ariano Suassuna é um escritor católico. Sobre sua religiosidade assim se manifesta o crítico Sábato Magaldi: “(sua religiosidade] pode espantar aos cultores de um catolicismo acomodatício, mas responde às exigências daqueles que se conduzem por uma fé verdadeira”. Confrontando essa passagemdo crítico com o texto lido, podemos afirmar que: A) o comportamento do padre é apresentado como exemplo daqueles que se conduzem por uma fé verdadeira. b) os padres que se conduzem por uma fé verdadeira não procederiam como procedeu o padre neste fragmento de Ariano Suassuna. C) na verdade, o procedimento do padre neste fragmento é apresentado para ilustrar como os padres são vítimas da falta deautenticidade dos seus paroquianos. d) João Grilo e Chicó representam aqueles católicos que, por não procederem de acordo com a fé verdadeira, tentam envolver o padre em uma cilada. E) neste fragmento não está implícita nenhuma crítica aos padres, mas à figura do coronel nordestino, às suas artimanhas.

tC – Português
• O texto que segue é o capítulo LXVIII do livro Memórias póstumasde Brás Cubas, de Machado de Assis. o VeRGALHo Tais eram as reflexões que eu vinha fazendo, por aquele Valongo fora, logo depois de ver e ajustar a casa. Interrompeu-mas um ajuntamento; era um preto que vergalhava outro na praça. O outro não se atrevia a fugir; gemia somente estas únicas palavras: – “Não, perdão, meu senhor; meu senhor, perdão!” Mas o primeiro não fazia caso, e, a cada súplica,...
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