“O abrir-se de um abutre”: o corpo e as relações de poder permeadas pela diversidade sexual e étnico-racial

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“O ABRIR-SE DE UM ABUTRE”: O CORPO E AS RELAÇÕES DE PODER PERMEADAS PELA DIVERSIDADE SEXUAL E ÉTNICO-RACIAL

Sarah Dias Leocádio (UFOP)
Thiago Augusto Machado (UFOP)

Construção moderna que se refere a uma diversidade de povos, tribos, culturas e línguas, eis a “África” ressurgindo atualmente á luz de novos estudos.....
Benedict Anderson(data) formulou uma teoria muito dominante,principalmente para os estudos culturais pós-colonialistas sobre a idéia de nação e de nacionalismo. Anderson dizia que, não há uma essência natural que consubstancie os indivíduos de uma mesma nação. O que acontece é a construção cultural de um logos discursivo que institui um simulacro tomado como verdade natural ou como essência preexistente ao discurso, como que à espera de assimilação pelos membros dacomunidade. Esse estudo serviu de fonte para Stuart Hall (2003:26) pensar a idéia de identidade e o conceito de “comunidades imaginadas” proposto pelo norte-americano. Ao tocarmos na questão da identidade, interessa e também contribui bastante refletir o conceito de gênero como culturamente construído, diferente do de sexo, como naturalmente adquirido, ambos formando o par sobre o qual as teoriasfeministas inicialmente se basearam para defender perspectivas “desnaturalizadoras” sob as quais se dava, no senso comum, a associação do feminino com fragilidade ou submissão, e que até hoje servem para justificar preconceitos. Na tentativa de “desnaturalizar” o gênero, Butler se punha contrária a idéia a de uma identidade fixa ancorada na premissa na qual se origina a distinção sexo/gênero: sexoé natural e gênero é construído. A desconstrução da identidade, para a autora:

não é a desconstrução da política; ao invés disso, ela estabelece como políticos os próprios termos pelos quais a identidade é articulada. Esse tipo de crítica põe em questão a estrutura fundante em que o feminismo, como política de identidade, vem-se articulando. O paradoxo interno desse fundacionismo é que elepresume, fixa e restringe os próprios sujeitos que espera representar e libertar. (Butler, 2003, p. 213)

A questão da identidade perpassa também nossa discussão quando mais a frente falaremos a respeito das questões dos homossexuais e dos negros e suas influências na educação, principalmente nos livros didáticos. Pois bem, pensar a identidade implica um constituir-se sujeito, então qual “sujeitoimaginado” – de acordo com Anderson, poderia ser transparecido o negro na poesia de Adão Ventura? Como perceber na sua produção poética as relações de matrizes africanas? Ou como poderíamos entender esse sujeito nos referindo à situação dos homossexuais? Levando em conta a análise de Stuart Hall (2003, p. 27), o qual pensando a diáspora nos fornece a idéia de que identidades são múltiplas, nessalinha podemos, guardadas as devidas proporções, associar as reflexões teóricas tanto de Judith Butler quanto da Teoria Queer, sobre a qual falaremos num segundo momento deste trabalho.
Se o fenômeno da escravidão é considerado como uma cicatriz histórica ainda aberta seja no continente americano como no africano, por outra parte, ao longo dos séculos, ele gerou um discurso, uma construçãosimbólica acerca da violência e de outras conseqüências dele decorrentes. Nascido em 1946, em Santo Antônio do Itambé, antigo Distrito do Serro (MG), Adão Ventura poeta negro formado em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade Federal de Minas Gerais, em 1973, foi convidado para lecionar Literatura Brasileira na Universidade New Mexico e participar do Congresso de Escritores Internacionais,promovido pela Universidade de Iowa, nos EUA. Na década de 90, dirigiu a Fundação Palmares, órgão federal responsável pela promoção cultural da população negra brasileira. colaborou na criação do Suplemento Literário Minas Gerais, onde publicou inúmeros poemas. Parte de sua obra está traduzida para o inglês, o alemão e o húngaro, e sua produção tem gerado especial interesse por parte da crítica...
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