e mail

Disponível somente no TrabalhosFeitos
  • Páginas : 26 (6420 palavras )
  • Download(s) : 0
  • Publicado : 27 de outubro de 2014
Ler documento completo
Amostra do texto
A História do Diabetes
Por Balduino TschiedelIntrodução
A história do diabetes é extremamente rica e plena de fatos históricos importantes e curiosos. O papiro Ebers, descoberto pelo alemão Gerg Ebers em 1872, no Egito, é o primeiro documento conhecido a fazer referência a uma doença que se caracterizava por emissão freqüente e abundante de urina, sugerindo até alguns tratamentos à base defrutos e plantas. Acredita-se que este documento tenha sido elaborado em torno de 1500 AC. Mas foi apenas no século II DC, na Grécia Antiga, que esta enfermidade recebeu o nome de diabetes. Este termo, que se atribui à Araeteus, discípulo de Hipócrates, significa “passar através de um sifão” e explica-se pelo fato de que a poliúria, que caracterizava a doença, assemelhava-se à drenagem de águaatravés de um sifão. Araeteus observou também a associação entre poliúria, polidipsia, polifagia e astenia. Mais adiante, médicos indianos teriam sido os primeiros a detectar a provável doçura da urina de pacientes com diabetes, no que foram seguidos por chineses e japoneses. Isso foi feito a partir da observação de que havia maior concentração de formigas e moscas em volta da urina de pessoas comdiabetes. Mas isso só está confirmado a partir dos estudos de Willis, no século XVII, e Dobson, no século XVIII, na Inglaterra. O primeiro provou efetivamente a urina de um paciente com diabetes e referiu que era “doce como mel”. E o segundo aqueceu a urina até o ressecamento, quando se formava um resíduo açucarado, fornecendo as evidências experimentais de que pessoas com diabetes eliminavam de fatoaçúcar pela urina. Foi Cullen, também no séc. XVIII (1769), quem sugeriu o termo mellitus (mel, em latim), diferenciando os tipos de diabetes em diabetes mellitus, caracterizado pela urina abundante com odor e sabor de mel, e diabetes insipidus, com urina também abundante, clara, e não adocicada. E em meados do século XIX foi sugerido, por Lanceraux e Bouchardat, que existiriam dois tipos dediabetes, um em pessoas mais jovens, e que se apresentava com mais gravidade, e outro em pessoas com mais idade, de evolução não tão severa, e que surgia mais frequentemente em pacientes com peso excessivo.
Os caminhos que levaram à descoberta da insulina           
Até a metade dos anos 1800, como ocorria com quase todos os outros pacientes, a medicina pouco podia oferecer a eles, a não ser sangrias eblisteres. O último vestígio dessas práticas foi o uso do ópio para tratar diabetes, ainda mencionado por William Osler em 1915. Um outro tratamento que sobreviveu até o século XX era baseado na noção de que o diabético necessitava uma alimentação extra para compensar as perdas de material nutritivo pela urina.  Com esse raciocínio, estimulava-se que o paciente com diabetes comesse tanto quantoconseguisse. Um médico francês, Piorry, no final da década de 1850, refinou a ideia e sugeriu a ingestão de grandes quantidades de açúcar. Mesmo no início do século XX  ainda existiam  médicos estimulando o consumo de açúcar, tentados que eram  a ajudar o paciente a ganhar peso.  O primeiro avanço surgiu quando os médicos passaram a adotar a ideia de que, se a alimentação excessiva não funcionava(na verdade, era um completo desastre), deveria ser praticado o oposto, ou seja, restrição alimentar.  E os carboidratos pareciam ser o maior vilão. Portanto, começou-se a adotar uma dieta pobre em carboidratos.
Bouchardat, já utilizando o sistema de jejum periódico por alguns dias, observou o desaparecimento da glicosúria em alguns de seus pacientes durante o racionamento a que Paris foisubmetida pelo cerco alemão em 1870. Ele também notou que o exercício poderia aumentar a tolerância de uma pessoa com diabetes aos carboidratos.
A dificuldade que os pacientes com diabetes têm em seguir dietas sempre foi e ainda é o maior problema encontrado pelos médicos no tratamento dessa doença. Cantoni, um importante médico italiano do século XIX, trancava seus pacientes a chave. Um discípulo...
tracking img