D. afonse henriques

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  • Publicado : 17 de janeiro de 2013
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D Afonso Henriques
Personagem oculta por inúmeras e sucessivas camadas de interpretações ideológicas, quer eruditas quer populares, a figura verídica do nosso primeiro
Mas pode-se tentar descobrir como nasceram as narrativas tecidas em torno da sua personalidade, examinar o sentido que tinham quando apareceram e reconstituir os sucessos de que Afonso Henriques foi protagonista. 
Se não épossível traçar-lhe o retrato preciso, pode-se, ao menos, estudar as suas orientações políticas e administrativas, conhecer os seus principais auxiliares e justificar o êxito da sua obra. 
Apesar de assim desaparecer o herói sobrenatural, toma inegável relevo o seu talento político e militar e, por conseguinte, o seu direito a ser de facto considerado o rei fundador de Portugal.
Talvez por ser ogovernante que mais anos deteve o poder político em Portugal. Talvez pela sua longevidade pois tendo nascido, segundo Mattoso, em “meados de Agosto de 1109, morreu a 6 de Dezembro de 1185 – com 76 anos de idade!
São as vitórias guerreiras de Afonso Henriques que lhe permitem usar o nome de rei. Os súbitos consideram-no seu legítimo soberano. Foi também a guerra que consolidou a sua autoridade e lhepermitiu transmitir o título e a independência a seu filho Sancho I. Foi a guerra que lhe assegurou um território suficientemente amplo para deixar de ser um mero condado. Só a partir de 1190 é que Portugal deixa de ser um reino inteiramente voltado para a guerra. Agora o rei passa a ocupar-se com a organização administrativa, económica e social.
Em 1131 Afonso Henriques abandona Guimarães parafazer de Coimbra o centro do reino. Segundo os historiadores (Mattoso), terá sido esta decisão, a mais transcendente de todas para a sobrevivência de Portugal como nação independente.
Já D. Henrique e D. Teresa tinham permanecido temporadas em Coimbra. Mas a partir 1131 Afonso Henriques torna a estadia definitiva. Coimbra passou a ser o lugar onde o rei residia e onde estava situado o Mosteiro deSanta Cruz de Coimbra, santuário que pela ligação com o monarca, exprimia o seu vínculo com o poder divino. A proximidade do palácio régio com o lugar sagrado confere-lhe um alto valor simbólico.
Mas as razões principais são outras:<1> Ao mudar-se para Coimbra distancia-se da nobreza senhorial do Norte, a quem devia, afinal, o poder, mas da qual não queria depender. Evitava assim aconfrontação com uma nobreza que tinha sido a base da sua força. Afonso Henriques retribuiu generosamente o apoio dos nobres do Norte, concedeu-lhes cartas de couto sobre os mosteiros que patrocinam, mas sem lhes fazer grandes concessões fundiárias fora das suas regiões de origem, o que leva a que fiquem acantonados entre Minho e Vouga. Ao ir para Coimbra o rei vai-se apoiar num grupo social diferente,que virá a constituir o embrião duma nobreza mais dócil e maleável, mas sem hostilizar os senhores do Norte. <2> Esta independência não seria possível se Afonso Henriques não contasse com uma base social de apoio a que estava ligado diretamente: os cavaleiros de Coimbra que mesmo de origem obscura se podem considerar nobres, e cavaleiros vilãos dos concelhos e das comunidades rurais do centrodo país. O rei podia assim exercer verdadeiros poderes estatais, cujo respeito era garantido por uma tradição de vida comunitária e pública que vinha desde a época romana e preservada pela dominação árabe. <3> A vinda para Coimbra proporciona a sua inserção habitual num meio urbano, sendo as cidades o centro de decisão política e económica ao contrário das cidades do norte onde cujos centrosde poder estavam nos campos. A cidade impõe, específica repartição de trabalho, diferente consciência do tempo, da medida e do dinheiro, uma outra forma de convivência e uma mentalidade menos dependente das imposições da natureza. As diferenças entre vida urbana e rural são fundamentais. Assim Afonso Henriques tirou partido e pode organizar mais racionalmente a sua administração, ter mais...
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