A visao das psicologas e assistentes sociais em relaçaoa adoção por homossexuais.

Disponível somente no TrabalhosFeitos
  • Páginas : 62 (15354 palavras )
  • Download(s) : 0
  • Publicado : 4 de outubro de 2011
Ler documento completo
Amostra do texto
RESUMO

Pesquisa qualitativa em Psicologia Sócio Histórica, cuja o objeto foi “Sentido atribuído ao trabalho para jovens com cargo de chefia no setor do comércio na Baixada Santista”. Foram realizadas entrevistas semi-estruturadas com sujeitos de 18 a 27 anos, que ocupem o cargo de chefia no mínimo há seis meses, no comércio da Baixada Santista. O método de análise foi Análise de conteúdo, e osnúcleos de sentidos encontrados foram: Procedimentos para adoção; A burocratização segundo os sujeitos quanto ao procedimento; Informativos/ conscientização; A criança em primeiro lugar; A priorização de características como: idoneidade e responsabilidade para as famílias adotantes; A vontade de ser pai e mãe, e a compreensão do que é adoção; A diferença entre sexualidade e parentalidade, e aigualdade dos direitos de adoção; A substituição da figura materna ou paterna e a habilidade de conviver da criança com essa situação; A busca da formação familiar e os cuidados dados pelos adotantes.

I INTRODUÇÃO

1. DESENVOLVIMENTO DO TEMA

1.1 HOMOSSEXUALIDADE

Dispositivo da sexualidade
É no contexto do dispositivo da sexualidade que a idéia de homossexualidade é produzidahistoricamente. Segundo Foucault, (1996, in MADLERNER e DINIS 2007, p. 233) "foi por volta de 1870 que os psiquiatras começaram a constituí-la (a homossexualidade) como objeto de análise médica: ponto de partida, certamente, de toda uma série de intervenções e de controles novos". Paralelamente ao crescente interesse do discurso médico sobre a homossexualidade, surgiram também manifestações homossexuaisinteressadas em expor sua realidade, a verdade a partir do seu ponto de vista. Os homossexuais percebem esta dissecação de seus desejos como um desafio, produzindo como resistência outros discursos sobre si mesmos, principalmente através da literatura. Esta resistência, para Foucault, é essencial para que os movimentos homossexuais se afirmem, mas de outra forma que não aquela institucionalizada pelodispositivo da sexualidade:
[...] “está certo, nós somos o que vocês dizem, por natureza, perversão ou doença, como quiserem. E, se somos assim, sejamos assim e se vocês quiserem saber o que somos, nós mesmos diremos, melhor que vocês. Toda uma literatura da homossexualidade, muito diferente das narrativas libertinas, aparece no final do século XIX: veja Wilde ou Gide. É a inversão estratégica deuma "mesma" vontade de verdade.” (FOUCAULT, 1996, in MADLERNER e DINIS 2007, p.244)
Não se pode negar que o espaço que vem sendo aberto na sociedade, principalmente pela mídia, fez com que aumentasse a discussão acerca do tema, mas até que ponto esta discussão, que poderia ter um caráter inovador e transformador, não serve aos ideais de uma sociedade normatizadora? Como aponta Louro (2001, inMADLERNER e DINIS), essa maior visibilidade:
[...] “tem efeitos contraditórios: por um lado, alguns setores sociais passam a demonstrar uma crescente aceitação da pluralidade sexual, e até mesmo, passam a consumir alguns de seus produtos culturais; por outro lado, setores tradicionais renovam (e recrudescem) seus ataques, realizando campanhas de retomada dos valores tradicionais da família atémanifestações de extrema agressão e violência física.” (p. 542).
Talvez como ponto fundamental para a discussão sobre os movimentos homossexuais organizados esteja a questão da identidade homossexual. Uma inquietação colocada por Foucault em uma de suas entrevistas relaciona-se com o problema central da homossexualidade, que segundo ele não deveria ser: "Quem sou eu? Qual o segredo do meu desejo?",mas sim: "Quais relações podem ser estabelecidas, inventadas, multiplicadas, moduladas através da homossexualidade?" (FOUCAULT, 2005, in MADLERNER e DINIS p.1). Fica clara a sua preocupação em inventar um modo de vida que supere as questões sexuais, bem como o caráter fluído que, para ele, uma identidade deveria apresentar.
Britzman (1996, in MADLERNER e DINIS) enfatiza o mesmo cuidado ao...
tracking img