A vida cotidiana à época do renascimento

A vida cotidiana à época do Renascimento
Lindaura Dias de Oliveira Silva

Resumo: este trabalho tem como objetivo construir um panorama geral das mudanças de mentalidades na vida cotidiana do século XVII, tendo como base uma coletânea de texto que contribuirá para o entendimento do comportamento social desse período.
Palavras chave: Mentalidades, Cotidiano.
De acordo com a Autora AgnesHeller, (1989) no período renascentista a ciência ainda estava muito distante da vida cotidiana. O distanciamento entre a ciência e a vida comum no período medieval contribui para uma erudição descomplicada e aberta. No período renascentista, a vida cotidiana pouco se diferenciava da tecnologia, da ciência, e da arte, o conhecimento era privilégio de grupos sociais do tipo casta. Privilegiandoa igreja, e a própria filosofia, beneficiando grupos sociais, as qualidades mais bem vistas no ser humano passam a ser a inteligência, o conhecimento e o dom artístico. Assim a prática da erudição e das artes liberais transforma-se em profissões e a filosofia movimenta-se para os problemas éticos da vida cotidiana se bem que não de uma maneira cientificamente. Pois as vidas da maioria das pessoasestavam cobertas de enigmas e a doutrina religiosa dificultava a evolução da ciência. Com o Renascimento acontecem radicalmente as mudanças de ordem sociais acabando com a junção da ciência e os privilégios. A organização da Academia em Florença foi um marco na história; uma Escola de filosofia independente e inteiramente secular, acolhedora de qualquer homem pensante se maneira Platônica dandooportunidades cada vez mais a jovens que antes se quisessem estudar seria apenas seguindo a carreira eclesiástica. Segundo Carlo Guinzburg, considerado um dos mais célebres historiadores das mentalidades. Principalmente por causa das suas duas obras: O Queijo e os Vermes e os Andarilhos do Bem. Na primeira, o autor relata o cotidiano e as ideias de Domenico Scadella, perseguido pelo processoinquisitorial, e faz um trabalho minucioso possibilitando aos seus leitores a compreensão do processo entre a cultura dominante e a cultura popular. Para Ginzburg a cultura não é estática. Ao contrário, a cultura teria o caráter dinâmico e possuiria a faculdade de "circular" entre as classes dominantes e as classes subalternas. Porém os registros das ideias nascem da classe dominante, devido oanalfabetismo da outra classe; o trabalho de reconstrução cultural dos camponeses acabam sendo ditada de cima para baixo. Uma cultura iletrada acaba se perdendo ao longo dos tempos, ou apenas deixando marcas distorcidas. De acordo com Ginzburg a cultura popular se define antes de tudo pela sua oposição à cultura letrada das classes dominantes, tendo ele uma recusa dos conceitos vagos dementalidade, propondo recuperar os estudos sobre os conflitos de classes numa dimensão sociocultural, ele vai trabalhar as oposições culturais das classes. Para tanto, Ginzburg apresenta uma história, no qual estuda a circularidade cultural, partindo de um personagem por nome de Menocchio, que parece pertencer a classe baixa e que suas ideias o levou a ser condenado. Essa história mostra as raízes popularesna alta cultura europeia no período medieval. Sendo assim, o que Ginzburg quis mostrar com os seus estudos partindo do conceito de Circularidade cultural é que, é possível existir uma pluralidade de pensamentos em qualquer época da história. Há sempre uma homogeneização dos produtos culturais entre os setores hierárquicos da sociedade, sendo assim os discursos dos setores representativos dacultura erudita e letrada podem permear e moldar as práticas de outros grupos sociais iletrados; e que, da mesma forma, mas em sentido inverso, os setores subalternos atravessam a cultura hegemônica com as praticas discursivas que elaboram, fundadas na oralidade, e que, desse modo, também exercem influência nos setores chamados de portadores da cultura erudita. Em meados do século XVI se...
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