A vaguidade

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  • Publicado : 10 de novembro de 2012
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A vaguidade, por sua vez, surge quando há incerteza a respeito do significado de determinada palavra. Compilando as lições de ALF ROSS e HANS G. GADAMER, pode-se dizer que, dentrode uma determinado lugar hermenêutico (ou no dizer heideggeriano, dentro de um determinado sentido histórico), os signos teriam um núcleo duro de significações, em torno das quaisnão haveria dúvidas da referenciabilidade signo-significado, mas também haveria aquela zona cinzenta, na qual há dúvida sobre isto, cabendo ao intérprete, num retorno à análisecontextual, avaliar o sentido mais coerente da expressão. A vaguidade reside justamente nesta zona cinzenta, de difícil definição. E isso decorre justamente do fato da palavra ter umadefinição que encerra um conceito seletor de propriedades dos objetos da realidade, mas cuja extensão não tem como abarcar a complexidade infinita de um fenômeno, sempre deixando umespaço de vaguidade – o que nos permite concluir que todos os signos são potencialmente vagos. Tal qual a ambiguidade, a linguagem científica busca reduzir a vaguidade das palavras,para dar precisão ao seu discurso.

Por sua vez, a carga emotiva do discurso corresponde à intenção do emissor ao realizar a comunicação. Por vezes a carga emotiva é clara, mas hácasos em que ela está escondida em proposições, devendo ser desvendada na análise do contexto – exemplo disso são as ironias, em que literalmente se fala algo, mas querendo dizer oexato oposto do que se disse.

Enfim, deve-se observar que os suso referidos vícios na linguagem devem ser vencidos pelo intérprete através da atividade de elucidação, analisandoo contexto em que se dá a comunicação de modo a conseguir construir o significado correto para a mensagem recebida, sob pena de falhar a comunicação.

Escritor Carlos Daniel Neto 
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