A transnacionalização da indústria de sementes no brasil

A transnacionalização da indústria de sementes no Brasil: biotecnologias, patentes e biodiversidade. Rio de Janeiro: ActionAid Brasil, 2000. 138p.

O livro: A Transnacionalização da Indústria de Sementes no Brasil é obra de autoria de dois renomados especialistas, o Prof. John Wilkinson e a doutoranda, engenheira agrônoma Pierina German Castelli, ambos vinculados ao Curso de Pós-graduação emDesenvolvimento, Agricultura e Sociedade (CPDA), da UFRRJ.

Na verdade, trata-se do resultado de uma pesquisa sobre a internacionalização da indústria de sementes no Brasil, coordenada pelo Prof. Wilkinson, e executada pela doutoranda Pierina Castelli, com o apoio financeiro da ActionAid, uma organização não-governamental, sem fins lucrativos, com sua matriz instalada na Inglaterra, cuja missão éapoiar esforços para a eliminação da pobreza e injustiça social na África, Ásia, América do Sul e Caribe.

Apresentado de forma didática, em três capítulos distintos, o livro em foco torna-se deveras acessível e prático, pois encerra, além das oportunas definições de termos (glossário e siglas utilizadas), dezenas de quadros e gráficos elucidativos do conteúdo desenvolvido, tudo respaldado porum apreciável volume de referência bibliográficas, que certamente serão úteis aos leitores que desejarem avançar na busca de mais e melhores informações relacionadas à temática abordada.

Ao se iniciar a leitura do livro, depara-se com a apresentação feita pela ActionAid Brasil, da qual destacamos o seguinte trecho: "Há algumas décadas o debate sobre a segurança alimentar era dominado pela noçãode que a fome seria solucionada pelo aumento da produção de alimentos. Hoje, contudo, cada vez mais fica claro que a capacidade de acesso dos povos à alimentação tornou-se o elemento crucial. Segurança alimentar e nutricional significa garantir a todos o acesso a alimentos básicos de qualidade, em quantidade suficiente, de modo permanente e sem comprometer o acesso a outras necessidadesessenciais, com base em práticas alimentares saudáveis."

"A compreensão de que o acesso ao alimento está na raiz da problemática da fome nos remete ao debate sobre o controle da produção, (...) ou seja, sobre a unidade básica da produção agrícola - a semente - um dos insumos mais essenciais à produção de alimentos"

Aborda, também, de forma inteligível a relação existente entre o mercado de sementes ea (in)segurança alimentar, considerando que "cerca de 800 milhões de pessoas passam fome no mundo (...) e no Brasil, cerca de 32 milhões se encontram em situação de indigência e fome".

A publicação chancelada pela ActionAid Brasil é parte integrante da "Campanha por um Brasil Livre de Transgênicos", iniciada em 1999, com o objetivo de conscientizar a opinião pública sobre os riscos que issopode causar à saúde humana e ao meio ambiente, além da ameaça que a nefasta concentração do mercado de sementes pelas empresas multinacionais representa para a agricultura familiar, à conservação da biodiversidade e à segurança alimentar da população brasileira.

Surge, daí, uma série de questionamentos, por exemplo: qual foi a evolução do mercado de sementes e quais são as tendências mundiais dosetor? Como e por que aconteceram as grandes mudanças estruturais no setor de sementes, em várias partes do mundo? Que impactos trouxe, tem trazido e ainda trará o monopólio da indústria de sementes e quais os cenários que buscam captar as implicações das novas tecnologias à propriedade familiar?

São questões que podem ser feitas, e que nos estudos realizados por Pierina Castelli e JohnWilkinson, fazendo uma verdadeira radiografia do setor sementeiro, não só respondem, mas mostram preocupação com os impactos da transnacionalização, principalmente sobre a agricultura familiar.

Os autores relatam que ao longo do século XX, a semente tornou-se uma mercadoria no quadro da divisão do trabalho entre o agricultor e a indústria. O começo de uma verdadeira indústria de semente, se deu...
tracking img