A tese do sincretismo e da prática indiferenciada

A tese do sincretismo e da prática indiferenciada



Uma das mais expressivas contribuições para a renovação crítica do Serviço Social brasileiro é de autoria de Netto (1991b, 1992, 1996)(Ditadura e Serviço Social, Capitalismo Monopolista e Transformações Societárias, respectivamente).



Elaborada com fina sustentação teórico-metodológica e profundamente enraizada na história do país,na dinâmica da expansão monopolista mundial, ela é responsável por uma culta interlocução da profissão com o pensamento social na modernidade e, especialmente, com representantes clássicos econtemporâneos da tradição crítico-dialética. Poder-se-ia afirmar que, animada por uma vocação histórica exemplar, a tônica que singulariza essa análise é o privilégio da esfera da cultura ou, maisespecificamente, da crítica ideocultural, como dimensão constitutiva da luta política pela ruptura da ordem burguesa.



Maior polêmica entre os interlocutores Iamamoto e Netto – o sincretismo da prática dotrabalho do assistente social. A crítica, sem concessões em torno dessa formulação historicamente datada, é acompanhada do reconhecimento da ultrapassagem, na produção subseqüente do autor, da maiorparte dos impasses identificados.

Netto propõe-se a elucidar o estatuto teórico da profissão e identificar a especificidade da prática profissional até os anos 60 do século XX, considerando uma dupladeterminação: as demandas sociais e a reserva de forças teóricas e prático-sociais acumuladas pelas assistentes sociais, capazes ou não de responder às requisições externas. Esse percurso tem comocentro o sincretismo, traço transversal da natureza do Serviço Social, desbordando-se na caracterização da prática profissional e dos seus parâmetros científicos e ideológicos.



O autor considera anatureza socioprofissional medularmente sincrética, posta a carência do referencial crítico-dialético. Esse pressuposto merece atenção, pois condiciona toda a análise da profissão enfeixada na...
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