A sustentabilidade no brasil

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in: Giambiagi & Barros (orgs) Brasil Pós-Crise, Agenda para a próxima década, ed. Campus 2009, p. 305-324

A SUSTENTABILIDADE DO BRASIL
Sérgio Besserman Vianna, José Eli da Veiga, Sérgio Abranches
Se um livro como este estivesse sendo publicado em meados da década de
1990, provavelmente incluiria um dos capítulos com o nome de “A agenda
ambiental”. Nele seria diagnosticada a saúde de diversosbiomas secularmente
agredidos pelo crescimento caracteristicamente predador da história econômica
brasileira, com ênfase na Amazônia e no cerrado. Estariam igualmente listados
diversos aspectos da utilização dos serviços naturais que necessitariam imediata
modernização e racionalização, tanto no aparato legal como nos métodos de
trabalho das empresas e do aparelho de Estado.
Se esse mesmo livroestivesse sendo editado no início ou em meados desta
década, é provável que o título do capítulo fosse “O Brasil e o Desenvolvimento
Sustentável “ . A maior parte do que antes teria sido chamado de agenda ambiental
ainda seria atual, mas o problema seria percebido como muito maior do que a
questão da preservação dos ecossistemas degradados, em si importante.
O que estaria em jogo seria a própriasustentabilidade do desenvolvimento do
Brasil, ameaçada pela utilização irracional e deletéria da natureza. Possivelmente,
os autores registrariam que a sustentabilidade é uma questão transversal, que afeta
todas as dimensões da atividade humana.
Entretanto, ao ser editado no final da primeira década do século XXI, apenas
alguns poucos anos depois, a realidade alterou profundamente esses termos. Naeconomia, primeiro a
explosão dos preços das commodities no período
imediatamente anterior à eclosão da crise sinalizou algo importante sobre a
sustentabilidade do modo atual de produzir e consumir. Em seguida, a própria crise
econômica modificou radicalmente o contexto em que se insere a busca por um
modo de desenvolvimento sustentável.
Enquanto se desenrolavam esses dramáticos eventos da história,o
conhecimento agregado pela ciência sobre os impactos da mudança climática (o
relatório de fevereiro de 2007 do IPCC considera o conhecimento produzido até
2004) infelizmente parece sugerir cenários mais pessimistas, custos de adaptação
maiores e, principalmente, riscos muito mais elevados do que os admissiveis se
considerado o “princípio da precaução“. Passamos a saber que é a busca de“sustentabilidade” o processo que condiciona todos os demais.
Não se trata de colocar o problema dessa forma apenas em termos teóricos. A
agenda do século XXI será presidida pelas escolhas sobre como considerar as
perdas de capital natural. E, nos próximos anos, as principais decisões na economia,
na governança e na política mundial dirão respeito à intensidade, à velocidade e à
forma como os custos dadescarbonização dos processos produtivos e modos de
consumo serão internalizados na economia de mercado, ou seja, nas contabilidades
nacionais, na contabilidade de custos das empresas e, principalmente, na estrutura
de preços relativos da economia globalizada.

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É impossível prever, no contexto da crise econômica atual ou fora dela, se haverá
governança global para que sejam tomadas, no horizonteda próxima década, as
decisões que poderiam evitar os piores cenários da mudança climática mundial.
É extremamente provável, contudo, que o mundo pós 2020 seja dominado pelas
transformações necessárias para mitigar o aquecimento global e adaptar-se aos
seus efeitos inevitáveis.
Desta forma, tratar da agenda e do posicionamento do Brasil frente ao tema do
desenvolvimento sustentável nos próximosanos equivale a pensar sobre as
condições da inserção competitiva do Brasil nesta nova economia mundial. Uma vez
que o desenrolar dos acontecimentos, tanto no mundo como no Brasil, é incerto,
uma forma adequada de apresentação dessas condições é a elaboração de
cenários.
Todos eles partem da compreensão de que a economia, na sua forma atual,
aproxima-se dos limites com que o planeta pode arcar e...
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