A sociedade e a democracia na pós

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  • Publicado : 11 de outubro de 2012
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A sociedade e a democracia na pós-modernidade
Maristela Rempel Ebert*
 
O presente artigo pretende fazer uma articulação das principais características do mundo atual, retomar alguns teóricos da pós-modernidade, em especial Zigmund Bauman e Boaventura Santos, e refletir sobre as possibilidades de se aprofundar as experiências democráticas para além do modelo hegemônico liberal que tem vigoradoao longo do século XX.  Trata-se de retomar algumas experiências de participação e controle social exemplificadas por Boaventura Santos como formas alternativas de construção de democracia que ultrapassam a lógica formal, elitista e representativa da política, que reduz o processo de cidadania ao direito de votar num governante, característica esta fundamental da democracia ocidental capitalista.A partir da década de 70 ocorre uma reestruturação mundial do capitalismo, com uma intensificação do comércio global, formação de blocos regionais, processo de flexibilização das fronteiras nacionais, centralização do sistema financeiro, bem como uma reorganização do mundo do trabalho e do processo produtivo (substituição da era industrial das máquinas pesadas pelos sistemas de informação e pelarevolução tecnológica contínua). Na política, surge uma reconfiguração do papel do Estado, qual seja, um abandono do Estado do bem estar social, como fortemente interventor e promotor da cidadania e dos direitos sociais, em favor de um Estado mínimo centrado de forma predominante em garantir a ordem. Trata-se da consolidação da visão do Estado liberal que vinha sendo defendido por muitos teóricosdesde o final do século XIX e que veio a se consolidar no final do século XX. Após a 2ª guerra mundial, em lugar dos Estados-Nacionais fortes, surgem órgãos internacionais (FMI, OMC, Banco Mundial) como referência para resolver conflitos internacionais, os quais entre outras funções estabelecem tratados e possuem poder de realizar empréstimos e renegociar as dívidas externas dos países.
Algunschamam essa fase de pós-modernidade, outros de capitalismo tardio (como Jameson e Mandel), e outros ainda de pós-fordismo (como Harvey), era da informação, globalização, etc., sendo que essas várias expressões podem ser interpretadas como sinônimas e, em geral são utilizadas simultaneamente. E também seu uso depende da preferência (ideológica) do intelectual e do enfoque dado, seja com viés maissocial, econômico ou político. Apesar da diversidade de leituras sobre a época atual, seja criticando ou defendendo, a maioria concorda que se trata de uma reorganização do sistema capitalista e não de um novo sistema produtivo. É inegável que uma das principais características desta nova fase é o enfraquecimento do Estado do bem estar social que caracterizou mais da metade do século XX. Todavia,este novo papel atribuído ao Estado não é homogêneo em todos os países, assim como o Estado do Bem estar social não o era.
Bauman dentre várias definições para época atual, utiliza o termo “modernidade líquida”[1] para caracterizar a fluidez da realidade em contraposição à solidez do período anterior. Esta fluidez não é apenas econômica (que transfere em questões de segundo grandes volumes decapital de um canto do mundo a outro, ou de uma empresa que se instala em um país e dele migra tão rápido quanto entrou), ou política (mudanças contínuas de legislação, leis de patentes, fim dos direitos adquiridos dos trabalhadores, crise dos partidos tradicionais de esquerda e de direita, etc.), ela também se reproduz nas demais áreas da vida humana, como as relações pessoais (amor e amizade cada vezmais fluidos e passageiros, identidade pessoal fluida), o lazer (intensificação do turismo, das migrações), a arte e o conhecimento acadêmico, cada vez mais ávido por novidades, em especial nas áreas tecnológicas. Aliás, a revolução tecnológica é o grande sustentáculo do capitalismo atual, é ela que dinamiza a produção econômica e o acúmulo de capital. O pensador utiliza a metáfora do ‘turista...
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