A sociedade depressiva

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  • Publicado : 22 de abril de 2013
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A sociedade depressiva
A derrota do sujeito
Atingindo no corpo e na alma por esta estranha síndrome em que se misturam a tristeza e a apatia de si mesmo. pg13
O indivíduo depressivo sofre ainda mais com as liberdades conquistados por já não saber como utilizá-las. pg13
Cada paciente é tratado com um ser anônimo, pertencente a uma totalidade orgânica.pg14
Se o ódio pelo outro é,inicialmente o ódio a si mesmo, ele repousa, como todo masoquismo, na negação imaginária da alternidade. pg 16
Às vésperas do terceiro milênio, a depressão tornou-se a epidemia psíquica das sociedades democráticas, ao mesmo tempo que se multiplicam os tratamentos para oferecer a cada consumidor uma solução honrosa. É claro que a histeria não desapareceu, porém ela é cada vez mais vivida e tratada comouma depressão. pg 17
A concepção freudiana de um sujeito do inconsciente, consciente de sua liberdade, mas atormentado pelo sexo, pela morte e pela proibição, foi substituida pela concepção mais psicológica de um indivíduo depressivo, que foge de seu inconsciente e está preocupado em retirar de si a essência de todo conflito. pg 19

Os medicamentos do espírito
A partir de 1960, as substânciasquímicas, ou piscotrópicos, modificaram a paisagem da loucura. pg21
Embora não curem nenhuma doença mental ou nervosa, elas revolucionaram a representação do psiquismo, fabricando um novo homem, polido e sem humor, esgotado pela evitação de suas paixões, envergonhado por não ser conforme ao ideal que lhe é proposto.pg 21
A princípio, a psicofarmacologia deu ao homem uma recuperação daliberdade. Postos em circulação em 1952 por dois psiquiatras franceses, Jean Delay e Pierre Deniker, os neurolépticos desenvolveram a faja ao louco. pg 22
A humanidade, ao longo de sua evolução, foi obrigada a passar pelas drogas. Sem os psicótropicos, talvez tivesse havido uma revolução na consciência humana, dizendo "não podemos mais suportar isso!" mas foi possível continuar a suportá-lo, graças aospsicotrópicos. Num futuro distante, a farmacologia talvez tenha menos interesse, a não ser, provavelmente na traumatologia, e é até concebível que desapareça. Pg 23
O poder da ideologia medicamentosa é tamanho que, quando ela alega restituir ao homem os atributos de sua virilidade, chega a cheirar a loucura. Assim, o sujeito que se julga impotente toma viagra para pôr fim a sua angústia semjamais saber de que a causalidade psíquica decorre de seu sintoma, ao homem cujo membro é realmente deficiente também toma o mesmo medicamento, para melhorar seu desempenho, para melhorar seu desempenha, mas sem jamais aprender de que causa orgânica decorre sua impotência. Pg 24
Quanto mais as instituições psicanalistas implodem, mais a psicanalise está presente nas diferentes esferas da sociedadee mais serve de referência histórica para a psicologia clínica que, no entanto, veio substituí-la. Pg 28
Em conseqüência disso, entre os psicotrópicos, os antidepressivos são os mais receitados, sem que se possa afirmar que os estados depressivos vem aumentand. Pg 29
“Os antidepressivos parecem aplicar-0se aos distúrbios do humor de vários níveis, quase sempre de maneira adequada, mas com umacorrente triplica: por um lado, apesar dos indiscutíveis progressos diagnósticos, especialmente os obtidos por nossos colegas clínicos, eles são prescritos em aproximadamente metade dos estados depressivos recenseados no nível da população geral, por outro lado, assistimos a uma ampliação da definição da depressão e sua medicalização (...) pg 30
A alma não é uma coisa
A psicanálise parece serainda mais atacado hoje em dia por haver conquistado o mundo através da singularidade de uma experiência subjetiva que coloca o inconsciente, a morte e a sexualidade no cerne da alma humana. Pg 35
“Especial Freud, o marxismo desmorona, a psicanálise resiste”, ou então “você precisa de psicanálise”. Em seguida, o tom tornou-se claramente antifreudiano: “Freud: gênio ou impostor?” “Convém...
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