A sociedade contra o estado

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A Sociedade contra o Estado
PIERRE CLASTRES

Uma abordagem do antropólogo nos conceitos de sociedade primitiva e contemporânea

A possibilidade de construir uma Antropologia política é prejudicada na medida em que juízos de valor e opiniões são inerentes a sua constituição como ciência. O Estado é ausente em determinadas sociedades primitivas (não-divididas), o que as constitui como tal.Segundo Pierre Clastres essas sociedades primitivas são incompletas, e subsistem na ausência da política estatal. A certeza em que a linha da história caminha num sentido único, e que toda a sociedade está inserida nesse contexto histórico ao percorrer suas etapas, indo da selvageria ao processo civilizatório, é conceito nesse autor.

No entendimento de sua obra, percebe-se a afirmativa de que associedades primitivas, quase sempre, são entendidas pela falta de composição do Estado, da escrita e do processo histórico, e sua economia é de subsistência. Assim, não há formulação de mercado. Dessa forma, sua tecnologia estará “estagnada” ao sub-equipamento e inferioridade tecnológica.

Mas não podemos falar na inferioridade técnica das sociedades primitivas, se entendermos esse conceito nosentido de que se refere ao conjunto processual adquirido pelo homem para garantir um domínio do atual meio, no sentido da adaptação e relatividade às suas necessidades. Daí, o “conceito” de inferioridade é incabível para as primitivas sociedades, dominando o meio que ocupa apenas para satisfação de suas necessidades. Pierre Clastres defende que não existe hierarquia no campo da técnica, nemtecnologia superior ou inferior, sob medida de que a avaliação do equipamento tecnológico se dá pela sua utilidade na capacidade de satisfação e necessidade.

O conceito que se estrutura no fundamento (em direito e fato) da afirmativa que diz que as sociedades primitivas estariam condenadas à economia de subsistência, em razão da inferioridade tecnológica, é combatido por Pierre Clastres. O autorainda aponta duas proposições, consideradas óbvias, exercida pelo ocidente, quando se debate a respeito da forma de viver dos primitivos. A primeira estabelece a dependência da sociedade perante o aparto estatal, e a segunda a imposição categórica sobre a necessidade do trabalho.

A atividade de produção na sociedade primitiva é estabelecida pelo grau de necessidade a ser satisfeito, voltado àenergia gasta e necessariamente suprida. A sociedade perde seu caráter de primitiva quando se divide em dominantes e dominados, à medida que sua economia se define com autonomia e definição, e a atividade produtiva transformam-se em trabalho alienado e massificado. “A relação política do poder precede e fundamenta a relação econômica de produção. Antes de ser econômica, a alienação é política, opoder antecede o trabalho, o econômico é uma derivação do político, a emergência do Estado determina o aparecimento das classes” (Pierre Clastres).

Na concepção de que o tempo se torna história, o surgimento do Estado estabeleceu e dividiu o selvagem do civilizado. A infra-estrutura econômica dessas sociedades se diferencia, mas a superestrutura política é parecida. Essa seria a “contemplação” dasociedade sem Estado. Já o Estado, no entendimento de “sociedade organizada”, vai no sentido inverso, praticando a infra-estrutura de forma parecida e a superestrutura política diferenciada de outros Estados. É o que Pierre Clastres chama de sociedade sem Estado (primeira), e Estado acabado (seguinte).

Dessa forma se entende que o fator decisivo é a ruptura política, e não a mudançaeconômica. A verdadeira revolução é política, e não neolítica. O chefe da sociedade primitiva não dispõe de autoridade, poder de coerção, ou meio de ordenar. Se o “poder” de persuasão não basta, ele perde sua credibilidade perante a sociedade que representa, não sendo suficiente para exercer sua função de chefe. Essa sociedade jamais irá tolerar um chefe com perfil de déspota.

“A sociedade primitiva...
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